Depois de décadas de progresso, esperança de vida caiu em 2015 em vários países da OCDE

Dos 18 países da OCDE analisados, 12 registaram uma quebra da esperança média de vida, com Itália a destacar-se pela negativa. Estados Unidos mantiveram a queda em 2016 e enfrentam o problema do aumento das mortes por overdose.

Depois de décadas de aumento da esperança média de vida, eis que este indicador registou uma quebra de 2014 para 2015 em 12 países desenvolvidos da OCDE, segundo um estudo publicado este mês no British Medical Journal.

O cenário de queda, ou pelo menos de estagnação deste indicador, era esperado pelos especialistas mas apenas para daqui a algumas décadas. Os resultados do estudo são, por isso, alarmantes, não só pela quantidade de países que viram a esperança média de vida da sua população recuar (12 em 18 países analisados) mas também pela dimensão da descida.

Os resultados da investigação, realizada pela equipa liderada por Jessica Ho da Universidade de Southern California, e Arun Hendi, da Universidade de Princeton (nos EUA), surpreenderam os próprios autores do estudo, ao revelarem uma descida média de 0,20 anos para homens e mulheres.

Portugal está entre os países que registaram uma diminuição da esperança média de vida, com um quebra de 0,1 em 2015. Itália foi o país mais penalizado, com uma quebra de 0,55 anos, seguido de Alemanha e Bélgica (cerca de 0,4), Reino Unido (cerca de 0,3), Espanha (cerca de 0,2) e ainda Estados Unidos, Holanda, Áustria, Suíça e Suécia (com quebras inferiores a 0,15). Dinamarca, Canadá, Noruega, Austrália, Japão e Finlândia viram este indicador subir.

“Esta foi a primeira vez em décadas recentes que tantos países desenvolvidos, no total de 12, registaram em simultâneo declínios tão apreciáveis na esperança média de vida, tanto para homens para mulheres”, lê-se no estudo. Em 2015, os autores deste estudo justificam os resultados com um aumento das doenças causadas pelo vírus da gripe (como a pneumonia e outras doenças respiratórias) e das doenças cardiovasculares e do sistema nervoso.

Apesar de no ano seguinte, 2016, quase todos os países terem recuperado e até ultrapassado as perdas, a extensão geográfica das descidas preocupa os investigadores, que apontam a situação económica, a deterioração da qualidade dos serviços de saúde e fatores comportamentais como indicadores que fazem balançar a saúde geral da população.

O caso mais preocupante é o dos Estados Unidos, que, além de não terem recuperado, mantiveram a trajetória de queda da esperança média de vida em 2016. Os cientistas apontam as desigualdades socias (que são muito mais marcadas nos EUA do que nos restantes países analisados) como um fator determinante para esta tendência. Será importante, dizem, melhorar as políticas sociais.

O Estados Unidos têm a mais baixa esperança média de vida de entro todos os países analisados, 81,4 anos para as mulheres e 76,4 para os homens. Em jeito de comparação, Portugal regista 84,32 para as mulheres e 78,11 para os homens. Contudo, os EUA destacam-se por ser o país em que as mortes em idade jovem mais contribuíram para a quebra da esperança média de vida média. Esse fenómeno está relacionado com o aumento significativo do consumo de opiáceos e, consequentemente, das mortes por overdose.

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