2 Fev, 2021

Covid-19. Pico da terceira vaga já terá sido ultrapassado

Número de infeções diárias está em queda e Rt está abaixo de 1 mas especialistas avisam: "não podemos baixar a guarda", porque descida "será lenta".

O pico de contágios pelo SARS-CoV-2 poderá já ter sido ultrapassado em Portugal, com os dados desta terça-feira, (um dia onde, habitualmente já não se reflete a quebra dos testes realizados ao fim de semana) a indicarem 5540 novos contágios, a quinta diminuição diária consecutiva e o valor mais baixo em quase um mês. O Rt baixou entretanto para menos de 1 – está em 0,99.

Portugal começa, assim, a achatar a curva, mas, alertam os epidemiologistas, o país ainda mantém “níveis de incidência brutalmente elevados” (principalmente na região de Lisboa e Vale do Tejo), o que impede que, para já, se comece a ponderar levantar o confinamento.

O Alentejo foi a primeira região a ultrapassar o pico de contágios, por volta do dia 21 de Janeiro, tendo-se seguido o Norte, entre o dia 23 ou 24 de Janeiro; e o Centro e o Algarve no dia 25 do mesmo mês. Já Lisboa e Vale do Tejo, que contabiliza atualmente cerca de 50% dos novos casos a nível nacional, já terá sido atingido o pico (provavelmente no dia 28), de acordo com Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em declarações ao Público.

No entanto, alerta o especialista, apenas será possível afirmar com total certeza que já ultrapassámos o pico dos contágios posteriormente, quando for possível verificar uma diminuição da incidência. “Os dados que estamos a observar hoje reportam a infeções dos últimos quatro, cinco ou seis dias”.

São boas notícias mas não podemos baixar a guarda“, avisa o especialista. “As medidas estão a resultar, não podemos aliviar minimamente. Quanto mais rígidos e eficazes [formos] mais rapidamente vamos controlar [a pandemia]. Não podemos cometer os erros do passado”, sublinha, ao JN.

Os epidemiologistas avisam que a descida do número de casos vai ser lenta. “Podemos ter já atingido o pico, mas a descida está a ser bastante lenta, o que quer dizer que vamos ter ainda um período grande em que os números vão ser elevados”, diz Milton Severo, investigador do departamento de Bioestatística do Instituto De Saúde Pública Da Universidade Do Porto.

Carlos Antunes estima que Portugal possa regressar aos níveis pré-Natal no início de março, com valores a rondar os 3500 casos diários. “Já estamos com uma desaceleração do contágio muito próxima, em termos de resultados, da que conseguimos em Março do ano passado”, diz.

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