14 Ago, 2020

Covid-19: Brasil aposta em anticorpos de cavalo até 50 vezes mais potentes

Soroterapia tem sido usada no combate a várias doenças no Brasil. Investigadores acreditam que anticorpos de cavalo sejam 20 a 50 vezes mais potentes contra vírus da Covid-19.

Investigadores brasileiros anunciaram ontem a patente de um estudo que utiliza plasma de cavalo para produzir anticorpos contra a Covid-19, por se terem mostrado até 50 vezes mais potentes do que os dos humanos infetados.

De acordo com a informação veiculada pelo Instituto Vital Brazil, instituição científica ligada ao governo do Rio de Janeiro, depois de 70 dias, os plasmas de quatro dos cinco cavalos do instituto, “inoculados em maio de 2020 com a proteína S recombinante do coronavírus apresentaram anticorpos neutralizantes 20 a 50 vezes mais potentes contra o novo vírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença”.

O soro anti-SARS-CoV-2 resultante dessa imunização criada pelos equinos, que ainda está a aguardar aprovação para que possa vir a ser testada em humanos, será utilizada, esperam os investigadores, como soroterapia. O Brasil tem um histórico de décadas de soroterapia contra doenças como raiva, tétano e picadas de abelhas, cobras e outros animais como aranha e escorpiões.

Para os especialistas, uma vantagem da soroterapia obtida através do plasma dos cavalos é a possibilidade de o tratamento ser “produzido em grande escala”. Como explica Adilson Stolet, presidente do Instituto, “estes animais não sofrem com o processo de retirada de plasma” pelo que se consegue “uma grande quantidade de medicamento disponível”.

Ademais, os cientistas consideram que “enquanto não há vacinas aprovadas e, mesmo posteriormente, em virtude da dificuldade em atender à grande demanda de vacinação em todo o mundo, o uso potencial da imunização passiva por terapia com soro deve ser considerado como uma opção”.

A investigação para produção deste soro a partir de anticorpos produzidos por cavalos, com inoculação da proteína S  (parte do vírus responsável pela invasão das células humanas e multiplicação do vírus) recombinante, está a ser realizada pelo Instituto Vital Brazil, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O Brasil é o país lusófono mais afetado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados e de mortos (mais de 3,1 milhões de casos e 104.201 óbitos), depois dos Estados Unidos da América.

LUSA/SO

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