16 Jul, 2025

Consultas para prevenção do VIH em Lisboa com mais de um ano de espera, alerta GAT

O Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT) denuncia que os utentes em Lisboa esperam mais de um ano por uma primeira consulta para aceder à PrEP, uma medicação preventiva contra o VIH, quando o tempo de espera recomendado deveria ser de apenas 30 dias.

Consultas para prevenção do VIH em Lisboa com mais de um ano de espera, alerta GAT

Os tempos de espera para uma primeira consulta hospitalar dedicada à prevenção do VIH em Lisboa ultrapassam um ano, quando o acesso deveria ser garantido em 30 dias, alertou o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT).

Segundo o secretário-geral do GAT, Luís Mendão, “já há listas de espera nos três hospitais de Lisboa que oferecem esta consulta que ultrapassam um ano. Ou seja, uma pessoa que hoje procura iniciar PrEP só terá vaga depois de 31 de dezembro deste ano”.

A PrEP (profilaxia pré-exposição) é uma medicação preventiva, tomada diariamente, que reduz em mais de 99% o risco de infeção pelo VIH. Apesar da eficácia e do baixo custo — inferior ao de muitos contracetivos — o acesso continua a ser um entrave, especialmente na capital.

Luís Mendão sublinha que Portugal tem registado uma diminuição lenta no número de novos casos de VIH, mas continua com valores acima da média da União Europeia, sobretudo no concelho de Lisboa. “É necessário agir localmente, com rastreio e prevenção intensificada nas zonas com maior incidência, como Lisboa, Porto e Península de Setúbal”, defendeu.

O ativista denuncia ainda que, desde 2021, Portugal não consegue reportar os dados relativos à meta global “95-95-95” — um objetivo das Nações Unidas que prevê que 95% das pessoas com VIH estejam diagnosticadas, 95% dessas em tratamento e 95% com carga viral indetetável.

“Passaram-se quatro anos sem uma plataforma nacional eficaz de monitorização de dados”, referiu, acrescentando que este vazio compromete qualquer estratégia eficaz de combate à infeção.

A falta de liderança no programa nacional para o VIH e infeções sexualmente transmissíveis é outro ponto crítico apontado por Mendão. Segundo o dirigente, várias recusas a convites para coordenar o programa revelam que não existem condições mínimas de trabalho para assumir o cargo.

“Não ter um responsável nacional é um péssimo sinal. Isso impede a definição de uma estratégia e contribui para números alarmantes, como o facto de cerca de 60% dos diagnósticos continuarem a ser tardios — e, entre estes, 25% já com SIDA”, afirmou.

O GAT alerta que, enquanto estas falhas persistirem, haverá consequências graves, como a mortalidade precoce e a continuidade da cadeia de transmissão do VIH em Portugal.

LUSA/SO

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