7 Abr, 2026

CNIS propõe residências transitórias para casos de internamentos sociais

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade propõe a criação de pequenas residências transitórias, com acompanhamento especializado, centradas na socialização e na recuperação de autonomia em casos de internamentos sociais. O objetivo é preparar as pessoas para uma integração futura em respostas mais estáveis ou para o regresso à comunidade.

CNIS propõe residências transitórias para casos de internamentos sociais

A Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) defendeu hoje a criação de residências transitórias para pessoas que permanecem internadas em hospitais sem necessidade clínica, alertando para situações em que doentes chegam a “vegetar” durante anos por falta de alternativas sociais. A proposta surge como resposta às chamadas “altas sociais”, casos em que os utentes recebem alta médica, mas não dispõem de condições para regressar à comunidade ou integrar outras respostas, prolongando o internamento por motivos não clínicos.

Durante uma audição sobre o programa Voltar a Casa, o presidente da CNIS, Lino Maia, destacou a existência de pessoas que permanecem longos períodos em contexto hospitalar, algumas durante anos, sem enquadramento adequado. Entre estas encontram-se pessoas em situação de sem-abrigo, que acabam por não ter solução de saída após o internamento. Segundo o responsável, o encaminhamento direto para lares ou unidades de cuidados continuados nem sempre é adequado, podendo gerar dificuldades de integração e conflitos, dado o perfil específico destes utentes.

Como alternativa, a CNIS propõe a criação de pequenas residências transitórias, com acompanhamento especializado, centradas na socialização e na recuperação de autonomia. O objetivo é preparar estas pessoas para uma integração futura em respostas mais estáveis ou para o regresso à comunidade. “São pessoas com a mesma dignidade que qualquer outra e precisam de tempo para voltar à vida”, sublinhou Lino Maia, defendendo que estas estruturas tenham caráter temporário, com permanência até dois anos, e funcionem em articulação com outras respostas sociais.

Também a dirigente da CNIS, Maria João Quintela, defendeu a necessidade de humanizar o processo de alta hospitalar, apelando a uma maior articulação entre o setor da saúde e o setor social para garantir continuidade de cuidados. A responsável alertou que as instituições sociais não devem ser encaradas como destino automático para estes casos, sublinhando a importância de respeitar a individualidade de cada utente e de definir planos de intervenção ajustados.

Segundo Maria João Quintela, muitas das situações conhecidas como “camas sociais” são complexas, envolvendo fatores de saúde, sociais e até legais, exigindo respostas integradas e acompanhamento continuado. Apontou ainda falhas na articulação entre hospitais e instituições, nomeadamente na partilha de informação e na definição de planos individuais, o que pode comprometer a recuperação e reintegração.

As residências transitórias são apresentadas como parte de um conjunto mais alargado de soluções, que inclui o programa “Voltar a Casa”, com o objetivo de promover a autonomia e evitar institucionalizações permanentes.

A CNIS defende que estas respostas devem privilegiar a proximidade territorial e a reinserção social, permitindo às pessoas recuperar ligações ao seu meio e evitar percursos marcados por sucessivas transferências entre instituições. Os responsáveis alertam ainda para o envelhecimento da população e para a crescente pressão sobre as respostas sociais, muitas já esgotadas, sublinhando a necessidade de investimento e planeamento estrutural.

A confederação considera que a criação destas residências pode passar pela adaptação de imóveis existentes, com apoio público, permitindo uma resposta mais rápida às necessidades identificadas. Mais do que libertar camas hospitalares, a CNIS sublinha que o objetivo central é garantir soluções dignas para pessoas em situação de grande vulnerabilidade, assegurando que ninguém permanece internado por falta de alternativas sociais.

SO/LUSA

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