7 Set, 2022

Cancro é a primeira causa de morte por doença em crianças mas faltam medidas nesta área

Da Estratégia de Luta contra o Cancro quase não constam medidas concretas para o cancro infantil e falta aposta na investigação nesta área. Por ano, surgem 400 novos casos em crianças.

O cancro infantil continua a ser a primeira causa de morte por doença em crianças e adolescentes: por ano, em Portugal, estima-se que surjam cerca de 400 novos casos. Neste mês de setembro, escolhido para a sensibilização para o cancro infantil no mundo inteiro, a Fundação Rui Osório de Castro (FROC) encontra-se preocupada com o papel da oncologia pediátrica na estratégia para 2021-2030 no nosso país.

Foi no passado mês de julho que a Direção-Geral da Saúde (DGS) iniciou o processo de consulta pública da Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro (ENLCC) para o decénio 2021-2030, um documento onde não constam quaisquer pilares de ação clínica para o cancro pediátrico. Cristina Potier, Diretora Geral da FROC, admite que “é preocupante que esta área surja apenas como uma estrutura transversal”.

Ao analisar a estratégia, observa-se a quase não existência de medidas concretas para o cancro infantil, estando em falta fatores como a investigação ou o acompanhamento psicológico, este que é “tão importante e um direito adquirido não só para a criança ou adolescente doente, mas também para o seu agregado familiar, tanto durante, como no pós-tratamento”, reitera Cristina Potier. No entanto, o acesso a esta consulta nem sempre é possível. É preciso criar as condições para que o seu acesso seja uma realidade.

No que diz respeito ao Registo Oncológico Pediátrico continua desatualizado, apesar de ser obrigatório desde 2017. Na estratégia nacional referem-se 342 novos casos em 2021, mas não é percetível como é obtida esta informação[1]. “Conhecer a realidade é fundamental para que se possam tomar decisões”, frisa a Diretora Geral da FROC.

“Enquanto Fundação queremos chegar aos portugueses, sensibilizando-os para o dia a dia das crianças, jovens, famílias, profissionais e voluntários que lutam contra o cancro e homenageá-los pelo seu esforço, dedicação e coragem, e fazer perceber à sociedade a importância do lugar do cancro pediátrico na estratégia nacional para as doenças oncológicas”. “Andamos há anos a defender isso e estamos agora no momento certo para que isso aconteça”, atenta a Diretora Geral.

Por essa razão e durante o mês de sensibilização, a FROC apela a que todos se juntem e adiram ao movimento #nãoficoindiferente, mostrando que também não são indiferentes ao cancro infantil.

Cristina Potier indica que o apoio pode ser dado mostrando que faz parte deste movimento, usando uma pulseira, crachá ou tote bag #nãoficoindiferente, partilhando o laço dourado nas redes sociais ou apoiando a Fundação Rui Osório de Castro tornando-se amigo do Xi ou criando uma campanha de angariação de fundos no Facebook, ou Instagram. Estas e outras formas de apoiar encontram-se no site da FROC em http://www.froc.pt.

Além destas iniciativas, a FROC disponibiliza, com o objetivo de promover a literacia sobre o cancro infantil, o PIPOP, o Portal de Informação Português de Oncologia Pediátrica. A plataforma contém informação acerca da pediatria oncológica, com o intuito de construir uma família informada, mais forte, tranquila e consciente na luta contra a doença oncológica. Também realiza eventos como os seus seminários anuais e as “Conversas Sobre”, um conjunto de sessões temáticas direcionadas para as famílias, doentes e sobreviventes, orientadas por profissionais das áreas.

SO/COMUNICADO

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