7 Mai, 2021

Brasil: nova estirpe responsável por 6% dos casos no Rio de Janeiro

A estirpe foi batizada de P.1.2 por se tratar de uma mutação da estirpe P.1, que já foi detetada em pelo menos 50 países.

As Autoridades sanitárias brasileiras identificaram uma nova estirpe da covid-19, derivada da variante detetada no Brasil (P.1), e que já responde por quase 6% dos casos de covid-19 registados no Rio de Janeiro.

A nova variante foi identificada em 5,86% das 376 amostras de sangue de pacientes com coronavírus  analisadas geneticamente nos meses de março e abril deste ano, informou a secretaria regional de saúde do Rio de Janeiro num comunicado hoje divulgado.

“A estirpe foi batizada de P.1.2 por se tratar de uma mutação da linhagem P.1 (variante detetada do Brasil), que continua a ser a principal responsável pelos casos registados no Rio de Janeiro, em 91,49% dos contágios”, indica o texto.

A P.1, já detetada em pelo menos 50 países, é uma mutação do SARS-CoV-2 que surgiu no final de 2020 no Estado brasileiro do Amazonas e é-lhe atribuída o forte crescimento de infeções e mortes devido à covid-19 registadas no Brasil nos últimos dois meses.

A expansão dessa variante gerou uma segunda vaga da pandemia no maior país da América Latina, que é um dos mais atingidos pela covid-19 no mundo, com cerca de 415 mil mortes e quase 15 milhões de infetados.

De acordo com a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, o novo estudo genético dos casos de covid-19 registados naquele Estado brasileiro mostrou que a P.1 apresentou novas alterações, cujo impacto epidemiológico terá de ser analisado.

Até ao momento, ainda não foi estabelecido se a P.1 ou a P.1.2 são mais letais que as versões originais do novo coronavírus ou se resistem a todas as vacinas desenvolvidas até agora, mas alguns estudos têm mostrado que a variante brasileira é pelo menos três vezes mais contagiosa.

Depois das P.1 (91,49%) e P.1.2 (5,86%), as estirpes com maior circulação no Rio de Janeiro são a B.1.1.7 (detetada no Reino Unido), com 2,13% dos casos, e a P.2 (0,53%), esta última também surgido nesse Estado brasileiro, de acordo com as sequências genéticas do vírus realizadas partir de amostras de 376 pacientes que contraíram o novo coronavírus em 57 municípios, entre 24 de março e 16 de abril.

“A nova variante foi encontrada principalmente na região norte do Estado do Rio de Janeiro, mas também na região metropolitana e em municípios do litoral”, afirmou a subsecretária de Vigilância em Saúde da secretaria, Claudia Mello.

“Até ao momento, não se pode avaliar se essa nova variante é mais transmissível ou letal. Temos que aprofundar os estudos para estabelecer o seu comportamento epidemiológico”, acrescentou.

O Secretário Regional da Saúde, Alexandre Chieppe, afirmou que é necessário efetuar a sequenciação genética do maior número de amostras possível para verificar a incidência de novas estirpes na população e, assim, antecipar possíveis cenários e tentar minimizar os efeitos da pandemia.

Diferentes cientistas alertaram sobre a possibilidade de que, com a pandemia ainda fora de controlo, o Brasil se torne o berço de novas estirpes do vírus, mais resistentes.

LUSA

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