2 Jan, 2019

Bastonário dos Médicos avisa que hospitais não estão preparados para pico da gripe

Sem um reforço do número de profissionais, Miguel Guimarães alerta para o aumento do tempo de espera - mesmo em casos mais graves. Apesar dos apelos, afluência aos centros de saúde e chamadas para a Saúde 24 estão a diminuir.

Numa altura em se começa a intensificar a atividade gripal em Portugal, e aumenta a afluência às urgências, o bastonário da Ordem dos Médicos alerta que “a maioria dos hospitais não está preparada, se houver um pico [de gripe] grande”. A principal dificuldade prende-se com a falta de recursos humanos.

Em declarações ao jornal Público, Miguel Guimarães garante que “os serviços que os hospitais disponibilizam são, na grande maioria, os que já oferecem nos outros meses, o que significa que caso haja um pico de gripe, os doentes vão ficar mais tempo à espera — nomeadamente os que têm prioridade amarela e laranja, que são os mais complicados”.

Um sinal preocupante, que pode dificultar a resposta dos serviços de urgência hospitalares, é a continuidade da afluência às urgências de doentes com gripe. No dia de Natal, por exemplo (e ainda com a atividade gripal numa fase precoce), a gripe representou 15% de todos os episódios urgentes que chegaram às urgências.

 

Centros de saúde com menor procura

Apesar de todos os apelos para que os doentes procurem, numa primeira fase, os cuidados de saúde primários, a verdade é que os casos de gripe que chegaram aos centros de saúde no mês de dezembro de 2018 são muito inferiores aos registados no mesmo período de 2017.

Em dezembro do ano passado os centos de saúde registaram uma média de 503 consultas de gripe e infeções respiratórias enquanto que este mês ficaram-se pelas 208 – em 2016 tinham sido 1040. Também a linha de Saúde 24 regista uma quebra na procura: fez uma média de 77 encaminhamentos relacionados com gripe, quando, em Dezembro de 2017, tinham sido 225 e, no ano antes, 345.

A manter-se este paradigma, 2019 poderá ser mais um ano de caos nas urgências hospitalares. Se a situação se afigura tradicionalmente complicada, pode agravar-se ainda mais com a greve dos enfermeiros agendada para o período entre 14 de janeiro de 28 de fevereiro. Apesar de afetar apenas os blocos cirúrgicos, a greve deve, ainda assim, ter impacto alargado, uma vez que “diminui a capacidade de resposta dos serviços”, explica o Bastonário dos Médicos.

As várias Administrações Regionais de Saúde (ARS) já têm em vigor planos de contingência para o inverno, que incluem, entre outras medidas, a abertura de mais camas nos hospitais. A ARS de Lisboa e Vale do Tejo tem 611 camas suplementares para fazer face ao período de gripe. Na região Centro podem ser acionadas perto de 200 camaas.

Contudo, muitos centros de saúde ainda não alargaram o horário de atendimento (o que costuma acontecer no início de janeiro) até às 20 ou 22 horas, para aumentar a resposta aos casos de gripe. Com a aproximação do pico da gripe – que, este ano, deve ocorrer no fim de janeiro -, alguns centros de saúde estarão abertos também ao sábado e ao domingo.

A bastonária dos enfermeiros critica o que diz ser a “ausência de resposta nos cuidados de saúde primários”, tanto ao nível do número de profissionais como dos horários. Ana RIta Cavaco lamenta que o “país nunca se prepare para estas épocas” e garante que nenhum hospital teve ainda autorização para contratar enfermeiros para o período crítico da gripe. Já Miguel Guimarães defende que é preciso investir mais nestes cuidados e reforçá-los antecipadamente.

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