Aumentam internamentos em cuidados intensivos por gripe na última semana
Entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, a proporção de casos de gripe em UCI subiu para 18,8%, face aos 11,3% registados na semana anterior.

Os internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) por gripe aumentaram na última semana, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA), que registou também um excesso de mortalidade por todas as causas. No mesmo período, foram identificados 1.340 casos de gripe.
Desde o início da época gripal 2025/2026, que começou na semana 40 de 2025 (29 de setembro a 5 de outubro), a Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Outros Vírus Respiratórios notificou 59.135 casos de infeção respiratória, dos quais 11.795 confirmados como gripe.
De acordo com o boletim de vigilância epidemiológica do INSA, entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, a proporção de casos de gripe em UCI subiu para 18,8%, face aos 11,3% registados na semana anterior. Neste período, foram reportados 27 casos de gripe pelas 16 UCI que enviaram informação, comparando com 16 casos notificados por 13 UCI na semana precedente.
Entre os doentes internados na primeira semana do ano, a maioria tinha 65 ou mais anos (14 casos), seguindo-se os grupos etários dos 55 aos 64 anos e dos 45 aos 54 anos (cinco casos cada), e dos 35 aos 44 anos (três casos). A grande maioria apresentava doença crónica subjacente (22 casos) e 24 tinham indicação para vacinação contra a gripe sazonal, embora apenas seis estivessem vacinados. Em dois casos, o estado vacinal era desconhecido.
Na mesma semana, foram admitidos 91 casos de infeção respiratória aguda grave (SARI) nas Unidades Locais de Saúde que reportaram dados, correspondendo a uma taxa de incidência de 11,7 casos por 100 mil habitantes. As taxas mantêm-se mais elevadas no grupo etário com 65 ou mais anos, enquanto se observa uma tendência decrescente no grupo dos zero aos quatro anos.
Foram ainda identificados outros agentes respiratórios em 397 casos, destacando-se o Vírus Sincicial Respiratório (RSV) como o mais frequentemente detetado. Desde a semana 40 de 2024, foram reportados 74 internamentos por infeção por RSV em crianças com menos de 24 meses, dos quais 16,2% tinham até três meses de idade. Cerca de 17,9% das crianças eram prematuras, 18,2% tinham baixo peso e 5,4% necessitaram de cuidados intensivos ou ventilação.
Os dados do INSA indicam também a existência de excesso de mortalidade em todas as regiões de Portugal continental, em ambos os sexos, e nos grupos etários dos 45 aos 64 anos, 65 aos 74, 75 aos 84 e 85 ou mais anos.
No que respeita à covid-19, no âmbito do estudo da diversidade genética do SARS-CoV-2, foram analisadas 911 amostras positivas em Portugal desde a semana 21 de 2025. Foram detetadas sete variantes em circulação, sendo a mais frequente a Ómicron BA.2.86 XFG, responsável por 60,3% dos casos sequenciados.
SO/LUSA
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