<i class="iconlock fa fa-lock fa-1x" aria-hidden="true" style="color:#e82d43;"></i> Atualizações Flash AINEs na prática clínica
Reumatologista

Atualizações Flash AINEs na prática clínica

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) constituem verdadeiros alicerces na terapêutica da dor e da inflamação, com aplicação transversal em cenários tão diversos quanto a dor aguda musculoesquelética, a osteoartrose, as espondilartrites ou como parte de uma abordagem terapêutica multimodal. A robustez da sua eficácia é inequívoca, suportada por inúmeras revisões sistemáticas e metanálises que demonstram superioridade face a placebo no alívio sintomático, independentemente de a dor ser aguda ou crónica. No entanto, esta eficácia vem associada a um perfil de risco que recomenda vigilância, particularmente em regimes prolongados ou com doses elevadas: as complicações gastrointestinais são as mais comuns, enquanto riscos cardiovasculares (sobretudo com inibidores seletivos de COX-2) e renais (por inibição das prostaglandinas vasodilatadoras) representam ameaças para alguns perfis de doentes.

A prescrição ideal de um AINE não é universal, mas sim moldada ao perfil único de cada doente. Em idosos, população em que a dor é mais prevalente e impactante na qualidade de vida e mobilidade, o cenário complica-se: alterações farmacocinéticas como a diminuição da depuração renal e hepática, aliadas à polimedicação quase universal ou à menor reserva fisiológica, elevam o potencial de toxicidade. Os inibidores seletivos de COX-2 podem precipitar eventos trombóticos e um rim fragilizado pode deteriorar a sua função. Interações medicamentosas – como com anticoagulantes ou anti-hipertensores – agravam o risco, tornando essencial o uso de ferramentas de verificação de interações e uma avaliação estratificada de comorbilidades cardiovasculares, gástricas e renais.

A solução reside numa abordagem criteriosa e personalizada: costumo recomendar que selecionem 3-4 AINEs com perfis de segurança distintos, ganhem experiência clínica profunda com eles, privilegiem formulações tópicas (quando viável), associem paracetamol em doses seguras e revejam periodicamente a necessidade terapêutica com monitorização analítica seriada, se a utilização for crónica. Não devemos demonizar ou excluir os AINEs – seria um erro clínico grave, privando muitos de alívio significativo das suas queixas –, mas devemos integrá-los numa estratégia multimodal que inclua fisioterapia, educação do doente e outras medidas não farmacológicas.

Cabe ao clínico esta arte subtil de jogar com o equilíbrio entre benefício e risco, comunicando claramente com o doente e reavaliando continuamente a sua ação terapêutica.

 

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