4 Fev, 2020

‘Outsourcing’ de cuidados de saúde nas prisões acaba em 2020

Ministério da Justiça reforça quadro de pessoal dos serviços prisionais com 97 enfermeiros

‘Outsourcing’ de cuidados de saúde nas prisões acaba em 2020

O Governo esclareceu segunda-feira, dia 3, que o quadro de pessoal dos serviços prisionais foi reforçado recentemente em mais 97 enfermeiros, afirmando que o ‘outsourcing’ nos cuidados de saúde nas prisões acaba este ano.

O Ministério da Justiça (MJ) reagiu desta forma à Ordem dos Enfermeiros (OE), que pediu “a intervenção urgente” do secretário-geral da ONU, António Guterres, devido à situação que se vive nos cuidados de saúde nas prisões portuguesas, na sequência de “inúmeras denúncias” feitas por reclusos e guardas prisionais.

“Em causa está o facto de os guardas prisionais estarem a ser obrigados, sob pena de ameaça de processo disciplinar, a distribuírem medicação aos reclusos, incluindo medicação de Psiquiatria, o que viola de forma grosseira a reserva de competência de enfermeiros e médicos“, afirmou a OE num comunicado.

Segundo a OE, “na origem destas violações grosseiras está o facto de em nenhum estabelecimento prisional existirem profissionais de saúde em permanência, como já foi admitido, pelo menos desde 2017, pela Direção-Geral de Reinserção Social”.

A OE refere que a situação é “ainda mais grave em casos de urgência”, nos quais os reclusos ficam dependentes da “avaliação” dos guardas prisionais e da única substância constante do kit de urgência, paracetamol, “o que viola as Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento de Reclusos, também conhecidas como Regras de Nelson Mandela”.

Numa resposta enviada à agência Lusa, o MJ afirma que “o quadro de pessoal dos Serviços Prisionais foi reforçado recentemente em mais 97 enfermeiros“.

“Com esta medida, o ano de 2020 fica assinalado pelo fim do ‘outsourcing’ nos cuidados de saúde nas prisões“, sublinha o MJ, adiantando que o sistema prisional investiu na saúde 5,2 milhões de euros em 2017, 9,9 milhões de euros em 2018 e cerca de 10 milhões de euros até 31 de outubro de 2019.

“No campo da prevenção, diagnóstico e tratamento dos reclusos portadores de doenças infeciosas, e em particular no caso da hepatite C, os ministérios da Justiça e da Saúde tornaram acessível a cura da hepatite C, com as novas modalidades terapêuticas, à população prisional, franja da população considerada como carenciada para estes tratamentos”, refere a mesma nota.

Segundo o MJ, em 30 de junho de 2019 estavam 441 reclusos portadores de HIV em tratamento e 1.122 portadores de hepatite C.

O MJ lembra ainda que as “Nações Unidas têm salientado o exemplar trabalho de Portugal relativamente à saúde nos Estabelecimentos Prisionais”.

SO/Lusa

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