4 Jan, 2019

Encontradas bactérias em solo irlandês capazes de combater superbactérias

Uma equipa de investigadores, que analisavam o solo da Irlanda há algum tempo, descobriram recentemente uma estripe de bactérias, até aqui desconhecida, eficaz no combate contra quatro das seis principais superbactérias resistentes aos antibióticos.

Encontradas bactérias em solo irlandês capazes de combater superbactérias

A resistência bacteriana é um problema crescente e descrito pela OMS como “uma das maiores ameaças à saúde global”, prevendo-se que mate milhões de pessoas em todo o mundo até 2050, o que faz desta descoberta, conduzida por investigadores da Universidade de Swansea, no Reino Unido, um contraponto positivo.

A nova estripe de bactérias foi apelidada pelos cientistas de Streptomyces sp. myrophorea. A equipa descobriu que era capaz de combater o crescimento de quatro importantes superbactérias: E. faecium (VRE), resistente à vancomicina; S. aureus (MRSA), resistente à meticilina; Klebsiella pneumoniae; e A. Baumanii, resistente à carbapenema.

 

 

Dr. Gerry Quinn, um dos investigadores da equipa da equipe de pesquisa e que já tinha conhecimento das propriedades curativas deste solo, afirmou: “A descoberta de substâncias antimicrobianas de Streptomyces sp.myrophorea ajudará na procura de novos medicamentos para o tratamento de bactérias multirresistentes, causadoras de muitas infeções perigosas e fatais”.

“Também descobrimos organismos antibacterianos adicionais a partir da mesma cura do solo, o que pode abranger um espectro mais amplo de patogénicos multirresistentes”, adiantou.

https://saudeonline.pt/2018/11/08/resistencia-aos-antibioticos-agrava-se-e-a-propria-medicina-moderna-que-esta-em-causa-alerta-paulo-andre-fernandes/

O solo analisado tem origem na localidade de Fermanagh, na Irlanda do Norte, conhecida por Boho Highlands. É uma área que já foi ocupada há 1500 anos por druidas e há 4 mil anos por povos neolíticos.

O professor Paul Dyson, da Escola de Medicina da Universidade de Swansea, salienta que “esta descoberta é um passo importante na luta contra a resistência aos antibióticos”, acrescentando ainda que os “resultados mostram que os medicamentos tradicionais merecem ser investigados na procura de novos antibióticos. Cientistas, historiadores e arqueólogos podem contribuir para esta tarefa. Parece que parte da resposta a este problema muito moderno pode estar na sabedoria do passado”.

A investigação foi publicada na Frontiers in Microbiology

Mónica Abreu Silva

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