Sindicato dos Enfermeiros reclama criação urgente de unidade de Oncologia no Santo António
O Sindicato dos Enfermeiros defendeu a criação urgente de uma Unidade de Oncologia no Hospital de Santo António, no Porto, para concentrar no mesmo espaço os doentes oncológicos e os profissionais que lhes prestam cuidados.

“Os doentes do foro oncológico, por não haver vaga no serviço de Hematologia, acabam por ser internados em outros serviços. É urgente criar uma unidade oncológica que acolha todos os doentes que necessitam de internamento”, afirmou o presidente do Sindicato dos Enfermeiros, Luís Silva, citado num comunicado.
Segundo o dirigente sindical, a concentração dos doentes numa unidade específica permitiria melhorar a prestação de cuidados oncológicos e reforçar a segurança dos procedimentos de enfermagem.
Luís Silva sublinhou que o Hospital de Santo António é um hospital-escola em várias áreas científicas e dispõe de centros de investigação “muito conceituados”, considerando que não se compreende que a unidade não disponha de uma estrutura dedicada à Oncologia.
Atualmente, os doentes oncológicos encontram-se distribuídos por diferentes serviços, uma situação que, segundo o sindicato, dificulta a organização das equipas e a continuidade dos cuidados, particularmente importante para pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
A questão foi discutida num encontro entre o Sindicato dos Enfermeiros e o conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) Santo António, durante o qual também foi abordada a reorganização dos serviços.
O sindicato chamou a atenção, em particular, para a situação da Hematologia, que está atualmente integrada no Serviço de Nefrologia/hemodiálise.
“Esta organização deve ser repensada, tendo em conta a especificidade e crescente diferenciação das diferentes áreas”, defendeu Luís Silva.
Durante a reunião, o Sindicato dos Enfermeiros e a administração da ULS Santo António acordaram também procurar resolver com brevidade a falta de avaliação dos enfermeiros relativa aos anos de 2023, 2024 e 2025.
O atraso na avaliação destes profissionais tem impacto na progressão da carreira e nas remunerações. Segundo o sindicato, a situação relativa ao ano corrente já está resolvida, enquanto os anos em falta se encontram também em processo de regularização.
O SE salienta que são centenas os enfermeiros afetados por estes atrasos e considera que o problema está agora próximo de ser ultrapassado.
Outro dos temas discutidos foi a ausência de aplicação das medidas de valorização associadas à penosidade aos enfermeiros que trabalham em áreas particularmente desgastantes, como a Oncologia e a Saúde Mental.
O sindicato voltou ainda a alertar para a “crónica carência” de enfermeiros.
“A Tutela tem de autorizar mais bolsas de recrutamento de enfermeiros generalistas, mas também de enfermeiros especialistas e gestores para assegurar a qualidade dos serviços prestados”, defendeu o Sindicato dos Enfermeiros.
LUSA/SO
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