Asma grave. “Conseguimos oferecer tratamentos cada vez mais personalizados”

A evolução no tratamento da asma grave tem sido visível nos últimos anos, daí que a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP) aposte na formação, segundo José Coutinho Costa, coordenador da Comissão de Alergologia Respiratória da SPP e pneumologista na ULS Entre Douro e Vouga. Vai assim realizar-se, nos dias 21 e 22 de junho, a 3.ª da Escola de Pneumologia, dedicada à Asma Grave, uma iniciativa formativa dirigida a pneumologistas e médicos internos da especialidade.

Asma grave. “Conseguimos oferecer tratamentos cada vez mais personalizados”

Em termos de tratamento da asma grave, como avaliam a evolução nos últimos anos?

A evolução tem sido verdadeiramente notável. Nos últimos anos, assistimos a uma mudança de paradigma na abordagem da asma grave, impulsionada por uma melhor compreensão dos mecanismos fisiopatológicos da doença e pelo desenvolvimento de terapêuticas biológicas dirigidas a alvos específicos da inflamação.

Atualmente, conseguimos oferecer tratamentos cada vez mais personalizados, baseados em biomarcadores e nas características individuais de cada doente. Isto traduz-se numa redução significativa das exacerbações, numa menor necessidade de corticoterapia sistémica e numa melhoria substancial da qualidade de vida. Além disso, conceitos que há alguns anos pareciam difíceis de alcançar, como a remissão clínica, passaram a integrar os objetivos terapêuticos da prática clínica diária.

“… continuam a existir algumas assimetrias relacionadas com a referenciação dos doentes, o acesso a consultas especializadas e a disponibilidade de recursos entre diferentes regiões do país”

Em termos de seguimento, os hospitais do SNS têm as condições necessárias ou ainda se verificam assimetrias regionais?

O Serviço Nacional de Saúde dispõe atualmente de profissionais altamente diferenciados e de centros com elevada experiência no acompanhamento da asma grave. No entanto, continuam a existir algumas assimetrias relacionadas com a referenciação dos doentes, o acesso a consultas especializadas e a disponibilidade de recursos entre diferentes regiões do país.

Tem sido feito um esforço muito relevante para uniformizar cuidados e melhorar o acesso às terapêuticas mais adequadas, mas ainda há margem para reforçar as redes de referenciação e garantir que todos os doentes, independentemente da sua área de residência, beneficiam das mesmas oportunidades de diagnóstico, acompanhamento e tratamento. É precisamente por isso que iniciativas de formação como a Escola de Asma Grave assumem tanta importância. Ao promover a atualização científica e a partilha de conhecimento entre especialistas de diferentes regiões, contribuem para uma maior uniformização de práticas e para que mais doentes possam beneficiar de uma abordagem baseada na melhor evidência disponível.

“A rápida evolução do conhecimento científico na área da asma grave, nomeadamente ao nível dos biomarcadores, das terapêuticas biológicas e das estratégias de personalização do tratamento, torna essencial a existência de espaços dedicados à atualização contínua”

A Escola de Pneumologia – Asma Grave é um projeto que se vai manter?

Sem dúvida. A Escola de Asma Grave tem demonstrado ser um projeto de grande relevância para a comunidade pneumológica nacional e continuará a afirmar-se como uma referência na formação nesta área. Ao longo das últimas edições, contribuiu para a formação de vários pneumologistas e médicos internos, tendo registado uma participação muito positiva e um elevado envolvimento dos profissionais.

A rápida evolução do conhecimento científico na área da asma grave, nomeadamente ao nível dos biomarcadores, das terapêuticas biológicas e das estratégias de personalização do tratamento, torna essencial a existência de espaços dedicados à atualização contínua. Por isso, faz todo o sentido dar continuidade a este projeto, mantendo-o como um espaço privilegiado de atualização científica, partilha de experiência e capacitação dos profissionais para os desafios atuais e futuros desta doença.

Maria João Garcia

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