22 Abr, 2026

Ordem dos Médicos propõe incluir vacina da gripe no PNV e apresenta 12 medidas para reforçar resposta nacional

A Ordem dos Médicos enviou à Direção-Geral da Saúde 12 propostas para reforçar a resposta à gripe em 2026-2027, incluindo a integração da vacina no Programa Nacional de Vacinação. As medidas visam melhorar a prevenção, a vigilância epidemiológica e a proteção dos grupos mais vulneráveis.

Ordem dos Médicos propõe incluir vacina da gripe no PNV e apresenta 12 medidas para reforçar resposta nacional

A Ordem dos Médicos (OM) apresentou à Direção-Geral da Saúde um conjunto de 12 propostas para reforçar a resposta nacional à gripe na época 2026-2027, entre as quais se destaca a inclusão da vacina contra a gripe no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Segundo a instituição, as propostas resultam de uma análise técnica e pretendem fortalecer a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, aumentar a proteção dos grupos mais vulneráveis, melhorar a vigilância epidemiológica e promover uma cultura de prevenção baseada em evidência científica.

Em comunicado divulgado no âmbito da Semana Europeia da Imunização, o bastonário Carlos Cortes defende que a gripe não pode continuar a ser tratada como um fenómeno inesperado.

“A gripe é um fenómeno previsível e não podemos continuar a responder como se fosse uma surpresa anual”, afirma.

Entre as medidas propostas, a Ordem sugere que a inclusão da vacina no PNV comece pelos grupos prioritários — pessoas com 60 ou mais anos, grávidas, crianças, profissionais de saúde e outros grupos de risco — com metas de cobertura vacinal superiores a 75% até dezembro e um objetivo de 95% até 2030.

A OM propõe igualmente o reforço e integração dos sistemas de vigilância da gripe e de outros vírus respiratórios, incluindo monitorização por águas residuais e articulação com redes europeias.

Outra das recomendações passa por reforçar a equidade e a segurança no acesso à vacinação, dando prioridade às populações com maior risco de doença grave e sublinhando o perfil de segurança das vacinas.

O documento defende ainda maior envolvimento dos profissionais de saúde na implementação das estratégias de prevenção e vacinação, reconhecendo o seu papel central na proximidade aos doentes.

Entre as propostas está também o alargamento da vacinação universal em idade pediátrica, com base na evidência sobre a eficácia da vacinação na prevenção de infeção, hospitalização e mortalidade em crianças.

Para os mais idosos, a Ordem recomenda avaliar o uso de vacinas de maior dosagem ou com adjuvantes, bem como a sua utilização em pessoas imunocomprometidas.

No plano do acesso, são sugeridas campanhas multicanal, reforço da vacinação em farmácias, unidades de saúde e equipas móveis, além da realização de “dias de vacinação”.

A OM propõe ainda o uso de máscaras em períodos de maior circulação viral e o reforço da comunicação pública sobre prevenção baseada em evidência.

“A vacinação é uma das ferramentas mais eficazes de saúde pública. A inclusão da vacina da gripe no Programa Nacional de Vacinação é um passo necessário para proteger melhor os mais vulneráveis e aumentar as taxas de imunização”, sublinha Carlos Cortes.

A Ordem recorda que a prevenção “salva vidas” e defende que Portugal precisa de reforçar a vigilância epidemiológica e melhorar o acesso à vacinação.

A Semana Europeia da Imunização decorre este ano entre 19 e 25 de abril e é coordenada pelo Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde.

LUSA/SO

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