Nutricionistas defendem plano nacional de segurança alimentar para situações de catástrofe
A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Liliana Sousa, alertou que “as situações de emergência podem comprometer rapidamente o acesso a alimentos e a cuidados básicos de saúde”, reforçando a necessidade de colocar a alimentação adequada como prioridade nas respostas de saúde pública.

A Ordem dos Nutricionistas defendeu, esta quarta-feira, a criação de um plano nacional de segurança alimentar para situações de catástrofe, alertando que contextos de emergência podem agravar o risco de desnutrição e aumentar a morbilidade e mortalidade das populações afetadas. A proposta foi apresentada ao Governo no âmbito da consulta pública do Portugal, Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), um programa lançado na sequência das tempestades que atingiram o país no final de janeiro. O documento teve as suas linhas gerais aprovadas pelo Conselho de Ministros a 20 de fevereiro, estando a versão final prevista para o início de abril.
Em comunicado, a bastonária da ordem, Liliana Sousa, alertou que “as situações de emergência podem comprometer rapidamente o acesso a alimentos e a cuidados básicos de saúde”, reforçando a necessidade de colocar a alimentação adequada como prioridade nas respostas de saúde pública.
A ordem propõe, assim, a implementação de um Plano Nacional de Segurança Alimentar em Situações de Catástrofe, com o objetivo de garantir o acesso a alimentos seguros, suficientes e nutricionalmente equilibrados em cenários de crise social, ambiental ou económica.
O plano deverá envolver vários setores, incluindo saúde, ação social, agricultura e a cadeia agroalimentar, em articulação com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e estruturas municipais de proteção civil, assegurando a coordenação entre diferentes níveis de resposta. Entre as medidas defendidas está também a integração de nutricionistas nas respostas de emergência, incluindo a sua presença obrigatória nas estruturas municipais de proteção civil. Segundo a ordem, esta medida permitirá avaliar necessidades nutricionais e garantir a qualidade das refeições fornecidas às populações afetadas.
O documento inclui ainda propostas como a formação de autarcas e agentes locais em gestão alimentar em contexto de crise, a criação de programas escolares que assegurem a continuidade das refeições durante períodos de encerramento e o reforço da formação académica nesta área. De acordo com Liliana Sousa, o objetivo passa por estruturar mecanismos de prevenção, planeamento e resposta rápida que assegurem o abastecimento alimentar, com especial atenção aos grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, pessoas com doenças crónicas, institucionalizados e populações isoladas.
SO/LUSA
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