4 Mar, 2026

Poluição do ar poderá afetar a saúde mental da população

A correlação entre poluição e saúde mental surge num documento da Agência Europeia do Ambiente. Os especialistas alertam, por exemplo, para um aumento em 2,2% nas taxas de suicídio por cada subida de 10 decibéis no ruído ferroviário.

Poluição do ar poderá afetar a saúde mental da população

Um relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA) alerta para a existência de uma correlação entre a poluição do ar, sonora e química e o aumento de problemas de saúde mental, como a depressão.

O documento, intitulado “Poluição e Saúde Mental: Prova científica atual”, conclui que vários estudos científicos identificam uma “correlação significativa entre a exposição à poluição (especialmente do ar, sonora e química) e os problemas de saúde mental”. Ainda assim, a agência sublinha que é necessária “mais investigação para estabelecer uma relação de causalidade clara”, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

De acordo com o relatório, as perturbações mentais resultam de uma multiplicidade de fatores — genéticos, sociais, económicos, psicológicos e relacionados com o estilo de vida — muitos dos quais ainda não são totalmente compreendidos. A poluição ambiental é, cada vez mais, analisada como um possível fator contribuinte.

No que respeita à poluição atmosférica, a exposição prolongada a partículas finas com diâmetro igual ou inferior a 2,5 micrómetros (PM2,5) — cerca de 3% da largura de um cabelo humano — e ao dióxido de azoto está associada a uma maior prevalência e risco de depressão. O relatório refere ainda que picos de exposição a curto prazo a estes poluentes estão ligados ao agravamento dos sintomas da esquizofrenia.

A exposição à poluição do ar durante fases críticas do desenvolvimento humano, como a gestação, a infância e o início da adolescência, é também associada a alterações estruturais e funcionais no cérebro. Relativamente à poluição sonora, a AEA indica que um aumento do ruído do tráfego rodoviário está correlacionado com um acréscimo de 3% no risco de depressão e de 2% no risco de ansiedade. O barulho está igualmente associado a uma maior prevalência de problemas comportamentais nas crianças. Segundo os dados citados, verifica-se um aumento significativo de 2,2% nas taxas de suicídio por cada subida de 10 decibéis no ruído ferroviário. Uma meta-análise apontou ainda para um aumento de 12% no risco de depressão por cada incremento de 10 decibéis no ruído das aeronaves.

No domínio da poluição química, o relatório considera particularmente preocupantes os efeitos nas crianças. A exposição pré-natal ou na infância ao chumbo está associada a doenças como a depressão e a esquizofrenia, tal como a exposição ao fumo passivo, sobretudo em grupos vulneráveis, como grávidas e crianças. Foi igualmente identificada uma associação entre a exposição pré-natal ao Bisfenol A — composto utilizado no fabrico de plásticos — e a ocorrência de depressão e ansiedade na infância.

“Embora sejam necessários mais estudos para esclarecer a causalidade, as provas existentes reforçam a necessidade de a legislação da União Europeia ser aplicada plenamente e de se reduzir ainda mais a exposição à poluição”, salienta a AEA no relatório.

SO/LUSA

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