Infeção por HPV. “Podemos fazer mais do que esperar apenas para saber se o organismo eliminou o vírus”
“O que fazes quando não sabes o que fazer?” é o mote da campanha da Procare para o Dia Internacional de Consciencialização sobre o HPV, que se assinala a 4 de março. Miguel Coelho, Country Manager da Procare Health Portugal, explica que a iniciativa visa informar as mulheres sobre as medidas que devem tomar quando têm um teste positivo. Face à baixa literacia em saúde sobre este tema, o responsável lembra que ter HPV positivo não é o mesmo que ter cancro e que, enquanto se aguarda um novo teste para perceber se o organismo elimina o vírus de forma espontânea, podem ser adotadas medidas terapêuticas.

Existe ainda um grande desconhecimento por parte da população sobre o que é a infeção por HPV?
Sim. Ainda existe um grande desconhecimento sobre o que é a infeção, as suas consequências e a forma como se deve lidar com a notícia de um teste positivo, apesar de este vírus ser responsável pela maioria das infeções sexualmente transmissíveis.
Esta baixa literacia ficou bem patente numa campanha de consciencialização da Procare, que decorreu no ano passado, no âmbito do Dia Internacional de Consciencialização sobre o HPV, assinalado anualmente a 4 de março. Realizámos um vox pop e percebemos que as pessoas, de facto, não conhecem a infeção por HPV. Nas entrevistas, tornou-se evidente que não conhecem o vírus, a forma como se transmite ou como pode ser prevenido.
Não podemos esquecer que o HPV é responsável pela maioria dos casos de cancro do colo do útero, entre outros. Enquanto agentes de saúde, devemos informar a população e procurar aumentar a literacia nesta área.
De facto, é algo estranho esta falta de literacia, uma vez que a vacina já está integrada no Programa Nacional de Vacinação há vários anos – e, mais recentemente, passou também a incluir os rapazes…
Portugal tem uma boa adesão à vacinação, que é uma medida preventiva muito importante. No entanto, a vacina não é terapêutica, apesar de também ser aconselhada a mulheres não vacinadas que testam positivo para HPV — embora, nesses casos, não seja gratuita, é essa a prática clínica atual.
A vacinação é absolutamente fundamental e o facto de termos uma taxa de adesão elevada contribui para uma menor incidência de cancro do colo do útero. Ainda assim, é preocupante que as infeções por HPV estejam a aumentar, tal como os casos de cancro do colo do útero. Infelizmente, continuam a morrer muitas mulheres por esta causa, todos os anos.
Naturalmente, esta realidade poderá dever-se, em parte, à imigração de mulheres provenientes de países onde a vacina não é uma prática generalizada. De qualquer forma, independentemente dessa variável, sabe-se cientificamente que este vírus apresenta elevada persistência, podendo permanecer no organismo de forma latente durante vários anos e, subitamente, voltar a positivar.
É também muito importante que as mulheres adiram ao rastreio, para saberem se são portadoras do vírus e, caso o teste seja positivo, possam adotar medidas terapêuticas e comportamentais. Atualmente, no nosso laboratório, dispomos de um gel vaginal que investigámos e que tem vindo a demonstrar resultados muito interessantes no que diz respeito à eliminação do vírus — sempre, naturalmente, em conjugação com a indispensável vacinação.
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Os resultados positivos desse gel vaginal estão na base da campanha deste ano para o Dia Internacional de Consciencialização sobre o HPV, intitulada “O que fazes quando não sabes o que fazer”?
Esta campanha resulta da própria dinâmica do rastreio. Atualmente, uma mulher que testa positivo e não apresenta quaisquer sintomas pode ser encaminhada para realizar uma colposcopia no hospital de referência, quando se trata de uma estirpe de maior risco ou quando são detetadas lesões de alto grau. Nas restantes situações – que constituem a maioria – mantém-se nos cuidados de saúde primários, por existir uma forte probabilidade de eliminação espontânea do vírus até um ano após o diagnóstico.
A questão prende-se com a forma como a mulher encara esta notícia inesperada: ter de aguardar um determinado período e regressar mais tarde para realizar um novo teste. Nos dias de hoje, com o acesso à Internet, muitas mulheres procuram informação que nem sempre é fidedigna, o que pode gerar níveis de ansiedade muito elevados. É neste momento que muitas não sabem o que fazer, porque testaram positivo para um vírus que pode estar associado ao cancro do colo do útero e cuja orientação clínica foi apenas aguardar para verificar se o organismo o elimina.
Com esta campanha, a Procare pretende esclarecer as mulheres e ajudá-las a lidar com a informação de que são portadoras de HPV, inclusive ao nível comportamental. Existe muita desinformação, havendo quem acredite que é necessário, por exemplo, forrar o tampo da sanita ou evitar usar as mesmas toalhas. É fundamental que as mulheres saibam o que fazer quando não sabem o que fazer e que compreendam que um teste positivo não significa, desde logo, cancro.
“É fundamental que as mulheres saibam o que fazer quando não sabem o que fazer e que compreendam que um teste positivo não significa, desde logo, cancro”
O gel vaginal da Procare acaba por ser uma resposta para as mulheres durante o período de espera até ao novo teste, contribuindo para diminuir a ansiedade?
Sim, trata-se de um produto natural que atua em diversos fatores do ciclo do vírus. Na prática, a empresa identificou uma lacuna: existia uma vacina em termos preventivos, mas não havia uma resposta terapêutica disponível. Após vários estudos científicos, desenvolvemos um produto que está atualmente disponível em 75 países, em diferentes continentes, e que tem sido alvo de diversas investigações.
Têm sido publicados estudos em revistas científicas de renome que demonstram a sua capacidade de eliminar o vírus, em comparação com populações que não adotam qualquer medida terapêutica. Podemos fazer mais do que simplesmente aguardar uma nova avaliação ao fim de um ano. O fundamento do nosso trabalho é precisamente esse: fazer mais do que apenas esperar.
SO












