19 Fev, 2026

Desafio do paracetamol online preocupa farmacêuticos e autoridades de saúde

A Ordem dos Farmacêuticos alerta para os riscos do chamado “desafio do paracetamol”, que circula nas redes sociais e incentiva jovens a ingerirem doses elevadas do medicamento. A prática pode causar danos hepáticos graves e irreversíveis, mesmo antes de surgirem sintomas.

Desafio do paracetamol online preocupa farmacêuticos e autoridades de saúde

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) avisou que os conteúdos difundidos nas redes sociais que incentivam a ingestão excessiva de paracetamol representam um risco sério para a saúde pública.

Em causa está o denominado “desafio do paracetamol”, uma espécie de competição entre jovens que promove a toma deliberada de doses elevadas deste fármaco, uma prática já identificada em vários países europeus, como Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça.

Segundo a OF, a toxicidade do paracetamol pode instalar-se antes do aparecimento de sinais clínicos evidentes, o que torna essencial uma abordagem preventiva e bem informada junto da população mais jovem.

Amplamente utilizado no alívio da dor e da febre, o paracetamol tem um perfil de segurança favorável quando administrado de acordo com as recomendações. O principal perigo surge, contudo, com a ingestão acima das doses indicadas.

A ordem sublinha que a sobredosagem pode provocar lesões hepáticas graves e irreversíveis, podendo evoluir para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante e, em situações extremas, morte. Em casos menos frequentes, podem também ocorrer lesões renais, sobretudo associadas a uso prolongado ou ingestão excessiva.

A sobredosagem pode resultar de uma única toma elevada ou de consumo repetido acima do recomendado. Os sintomas iniciais surgem geralmente nas primeiras 24 horas e incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia. Com a progressão da lesão hepática, pode aparecer dor abdominal e desenvolver-se um quadro clínico grave.

Perante qualquer suspeita de sobredosagem, a OF recomenda a procura imediata de assistência médica, mesmo na ausência de sintomas, já que a eficácia do tratamento depende da sua iniciação precoce.

A ordem recorda ainda o papel central dos farmacêuticos na prevenção de intoxicações e na promoção do uso seguro dos medicamentos, nomeadamente através da sensibilização dos adolescentes para os riscos associados à ingestão deliberada de doses elevadas de paracetamol e para a sua potencial toxicidade hepática e renal.

LUSA/SO

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