4 Fev, 2026

INEM defende novo modelo de triagem e admite que poderá ter evitado mais mortes

O presidente do INEM defendeu no parlamento que o novo modelo de triagem telefónica, em vigor desde janeiro, permitiu diferenciar prioridades nas situações de maior pressão, salvaguardando o socorro e evitando mais mortes.

INEM defende novo modelo de triagem e admite que poderá ter evitado mais mortes

O presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) afirmou que o novo modelo de triagem telefónica terá permitido “salvaguardar” a resposta nos períodos de maior pico de chamadas, defendendo que a diferenciação entre prioridades contribuiu para evitar mais mortes.

Ouvido na Comissão de Saúde, a pedido do PS e do Chega, Luís Mendes Cabral explicou que o sistema anterior classificava mais de 80% das ocorrências como P3, um grupo genérico sem diferenciação de meios, o que dificultava a gestão eficaz dos recursos de emergência.

“Ter-nos-á salvaguardado naqueles períodos de maior pico. Esta resposta é especialmente importante quando estamos em situações de grande pressão”, afirmou, referindo que, até cerca de 4.500 chamadas diárias para os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), o INEM consegue dar uma resposta “rápida e cabal”.

O responsável estava a ser ouvido na sequência da morte de um homem de 78 anos no Seixal, que aguardou cerca de três horas por socorro, um caso que motivou críticas à capacidade de resposta do sistema de emergência médica.

O novo sistema de triagem telefónica, implementado no início do ano, está alinhado com o modelo utilizado nos serviços de urgência hospitalar e baseia-se em cinco níveis de prioridade: emergente, muito urgente, urgente, pouco urgente e não urgente.

Cada nível passou a ter tempos de resposta definidos, que variam entre intervenção imediata nas situações de risco de vida e até 120 minutos nos casos pouco urgentes, sendo as situações não urgentes encaminhadas diretamente para a linha SNS 24.

Com o novo modelo, os utentes são informados da prioridade atribuída, do tempo estimado de chegada dos meios e do encaminhamento decidido, uma mudança que, segundo o presidente do INEM, melhora a transparência do sistema.

Luís Mendes Cabral sublinhou que a ausência de diferenciação no modelo anterior comprometia a resposta clínica.

“Tratávamos um enfarte agudo do miocárdio da mesma forma que tratávamos um entorse, ou um AVC da mesma forma que uma queimadura”, afirmou.

Os níveis P1 e P2 estão agora reservados para emergências médicas, com tempos de resposta entre oito e 18 minutos, enquanto os P3 e P4 correspondem a situações menos urgentes, com tempos de resposta até 60 e 120 minutos, respetivamente.

“Se tivéssemos respondido à situação do Seixal dentro dos 60 minutos, provavelmente o desfecho não teria sido o mesmo”, admitiu.

O presidente do INEM esclareceu ainda que a mudança não alterou as perguntas, fluxogramas ou os profissionais envolvidos, mas apenas a interpretação clínica dos sintomas reportados pelos utentes.

Reconheceu, no entanto, limitações estruturais em algumas regiões, nomeadamente na Península de Setúbal e no Algarve, sobretudo em períodos de maior procura.

“Na maior parte do país estamos a funcionar bem. O problema concentra-se na margem sul”, afirmou, acrescentando que a Liga dos Bombeiros Portugueses informou não existirem mais ambulâncias disponíveis para contratualização naquela região.

Luís Mendes Cabral concluiu que o reforço dos meios e a reorganização da triagem permitiram evitar novos casos graves, defendendo que, sem esta diferenciação, “muito provavelmente estaríamos hoje a falar de mais situações de morte”.

LUSA/SO

Notícia relacionada 

Comissão de Trabalhadores do INEM avança com providência cautelar contra novo modelo de formação

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais