Rinite alérgica – visão 360.º
Professor Honorário na Faculdade de Medicina da Universidade do Minho, especialista em Medicina Geral e Familiar

Rinite alérgica – visão 360.º

Porquê falar de rinite alérgica?
A rinite alérgica (RA) é uma doença crónica muito frequente, muitas vezes sub-diagnosticada e sub-tratada. Na maior parte das pessoas está mal controlada e tem um elevado impacto na qualidade de vida, levando a um grande consumo de recursos.

A sessão irá abordar três temas essenciais: como reconhecer, tratar e seguir a rinite alérgica.

Reconhecer
Frequentemente, a rinite não se apresenta como rinite. Mas então, onde é que se “esconde”? Muitas pessoas com RA referem ter “constipações” frequentes, ou têm tosse crónica, sono não reparador, referem fadiga ou têm rinossinusite ou asma mal controlada.

Na criança a rinite aparece mascarada, manifestando-se por tosse noturna, respiração oral, défice de atenção ou também como asma mal controlada.

A RA é uma doença inflamatória da mucosa nasal, clinicamente caracterizada por prurido nasal, crises esternutatórias, rinorreia anterior e/ou posterior e obstrução nasal, ocorrendo durante ≥2 dias consecutivos, >1 hora nos dias sintomáticos, sintomas reversíveis espontaneamente ou com tratamento.

A RA está muito associada a sintomas oculares (conjuntivite alérgica): lacrimejo, prurido, vermelhidão e edema.

Reconhecer
Quando é que não será rinite alérgica? Quando o doente tem sintomas unilaterais, rinorreia isolada ou rinorreia purulenta persistente, dor facial ou nasal, epistaxis unilateral ou recorrente, anosmia súbita, roncopatia ou SAOS, devemos suspeitar de outras causas.

O diagnóstico inicial é sempre clínico. Poderá estar indicado pedir MCDT perante a dúvida diagnóstica, presença de complicações, falência terapêutica ou planeamento de vacina anti-alérgica.

Tratar
O problema essencial do tratamento, não são os fármacos, é a estratégia. O erro clássico é reagir aos sintomas com prescrição de anti-histamínico ou corticóide nasal, muitas vezes comprado sem receita médica. Perante a persistência, adicionam antibiótico e, havendo falta resposta, ocorre resignação. A pessoa com RA continua a viver com os sintomas, com prejuízo da sua qualidade de vida e sem procurar ajuda.

Necessitamos de uma mudança de paradigma. Em vez de tratarmos queixas de rinite, devemos passar a tratar pessoas com rinite. Para isso, é necessária uma estratégia que inclui medidas gerais, evicção de alergénios, tratamento sintomático com CSI e Anti-H1, educação do doente e imunoterapia específica, quando indicado.

A sessão abordará as recomendações de tratamento farmacológico e não farmacológico da RA intermitente ligeira e persistente moderada/grave, a técnica correta do inalador e quando pensar em vacinação anti-alérgica.

Seguir
A maior falha é o abandono. O que interessa mais valorizar é como a pessoa com RA está hoje/recentemente. É possível avaliar o controlo em 30 segundos com 3 perguntas-chave: Dorme bem? Precisa de medicação de alívio frequentemente? Tem limitação no dia-a-dia? Se responde não às 3, a rinite não está controlada. O tratamento farmacológico implica decidir quando subir, manter ou descer a medicação.

 

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