Sindicato denuncia carência grave de médicos na ULS do Nordeste e bloqueio nas carreiras
O Sindicato dos Médicos do Norte alerta para a falta de médicos na Unidade Local de Saúde do Nordeste, onde existem dezenas de vagas por preencher e vários serviços dependem de prestadores externos. A ausência de progressão na carreira e a redução de internos agravam o cenário no Interior.

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) alertou esta para a insuficiência de médicos na Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, apontando a existência de um défice de “dezenas” de profissionais e a ausência de progressão na carreira para os que ali trabalham.
Após uma visita ao hospital de Bragança, representantes do sindicato, integrado na Federação Nacional dos Médicos, reuniram-se com profissionais de saúde, que relataram várias dificuldades, sobretudo relacionadas com a falta de médicos nos quadros.
Segundo a presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, alguns serviços funcionam essencialmente com médicos em prestação de serviços. É o caso da ginecologia/obstetrícia, não apenas na urgência, mas também em áreas como consulta externa e internamento, uma realidade que classificou como particularmente difícil. A Ortopedia é outro dos exemplos referidos, estando fortemente dependente de especialistas que não pertencem ao quadro da instituição.
De acordo com o sindicato, a resposta assistencial na ULS do Nordeste só é assegurada porque os médicos que lá permanecem “vestem a camisola” e continuam a garantir cuidados “o melhor que conseguem”, apesar da sobrecarga.
Outro problema destacado prende-se com a estagnação das carreiras médicas. Joana Bordalo e Sá afirmou que praticamente todos os médicos da ULS do Nordeste não são avaliados e permanecem no primeiro escalão da respetiva categoria, sem qualquer progressão, quer vertical, quer horizontal.
A dirigente sindical considerou anómala a inexistência deste processo regular de avaliação e progressão, sublinhando que o sindicato irá questionar o conselho de administração e exigir que a situação seja regularizada.
O SMN criticou ainda a política de investimento do Governo liderado por Luís Montenegro na contratação de médicos, sobretudo no que respeita à formação geral e especializada, defendendo uma distribuição mais equitativa das vagas entre o Litoral e o Interior.
Em dezembro do ano passado, a ULS do Nordeste indicou à agência Lusa que o número de médicos internos em formação tem vindo a diminuir. Das 46 vagas disponíveis, entraram 38 internos em 2024, 26 em 2025 e estão previstos apenas 11 em 2026, ficando por ocupar 35 lugares.
A situação da urgência cirúrgica do hospital de Mirandela, encerrada há mais de dois anos, continua igualmente a ser motivo de contestação, com o sindicato a exigir a sua reabertura.
Contactada pela Lusa, a Unidade Local de Saúde do Nordeste referiu não ter informação adicional a prestar sobre o assunto.
LUSA/SO
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