28 Jan, 2026

Federação saúda alargamento da idade dos dadores de sangue até aos 70 anos

Outra das novidades anunciadas passa pelo envio de mensagens SMS e emails aos dadores de sangue com os resultados das análises realizadas após a dádiva.

Federação saúda alargamento da idade dos dadores de sangue até aos 70 anos

Os dadores de sangue poderão ter até 70 anos, segundo a  Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades). A alteração de se aumentar a idade  surge como uma possível medida para se ajudar a travar a quebra de dadores registada nos últimos anos.

“Os dadores agora podem dar sangue até aos 70 anos”, afirmou à agência Lusa o presidente da Fepobades, Alberto Mota, após uma reunião com a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo. O responsável adiantou ainda que os dadores mais jovens passarão a ter acesso a um questionário online, com o objetivo de acelerar o processo de colheita.

Outra das novidades anunciadas passa pelo envio de mensagens SMS e emails aos dadores com os resultados das análises realizadas após a dádiva de sangue.

“Estamos a perder dadores todos os anos”, alertou Alberto Mota, sublinhando que o alargamento da idade representa “uma lufada de ar fresco” e poderá permitir ganhar “algumas centenas de dadores de sangue” nos próximos cinco anos.

Até agora, em Portugal, a idade para dar sangue situava-se entre os 18 e os 65 anos, mas desde o início do ano passou a ser permitido fazê-lo até aos 70. Segundo o presidente da federação, a Fepobades irá comunicar à tutela “casos que não aceitem dadores até aos 70 anos”.

Alberto Mota destacou ainda a disponibilidade demonstrada pela secretária de Estado da Saúde para o diálogo. “Apresentou-se com toda a disponibilidade para que se possa trabalhar ao encontro de termos sempre uma reserva de sangue estável, seja no Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), seja nos hospitais de todo o país”, afirmou.

Apesar das medidas positivas, a federação voltou a alertar para a falta de profissionais nos Centros de Sangue e da Transplantação (CST) do IPST no Porto, em Coimbra e em Lisboa. “Continuamos a ter falta de profissionais”, lamentou, referindo que o Ministério da Saúde garantiu a existência de vagas autorizadas e o seu preenchimento “o mais rapidamente possível”, de forma a evitar cancelamentos de colheitas, como aconteceu no passado.

A Fepobades alertou também para a “urgência de regulamentação” do Estatuto do Dador, que não é atualizado desde 2013. “Há muitos assuntos que não são cumpridos pelas administrações hospitalares”, afirmou Alberto Mota, defendendo a publicação clara das regras para garantir o cumprimento integral do estatuto.

O dirigente recordou ainda que existem normas em vigor que só recentemente começaram a ser aplicadas. “Desde 2015 é permitido que jovens de 17 anos, acompanhados pelo tutor, possam dar sangue, e só há meia dúzia de meses é que esta regra começou a ser cumprida”, disse, assegurando que a federação estará vigilante para que a nova regra dos 70 anos “seja mesmo para cumprir”.

Apesar de reconhecer que o inverno e a época de gripes tornam o mês de janeiro menos favorável às colheitas, Alberto Mota mostrou-se confiante de que não haverá quebras significativas. “Vamos trabalhar para manter a reserva estável nas várias regiões do país”, concluiu.

SO/LUSA

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