Estudo alerta para elevada prevalência de problemas de saúde oral entre atletas
Os problemas de saúde oral aumentam o risco de lesões musculares e articulares, podendo pôr em causa o desempenho dos atletas, de acordo com um estudo divulgado.

Entre 15% e 89% dos atletas avaliados em alguns estudos apresentam problemas de saúde oral, como cáries dentárias, e mais de 70% sofrem de doença periodontal, situações que podem comprometer de forma significativa o desempenho desportivo.
Segundo Cristina López de la Torre, coautora do artigo e diretora do Departamento de Medicina Dentária e Biomedicina da Universidade Europeia, estes problemas vão muito além da saúde oral. “Não só comprometem a saúde geral, como também aumentam o risco de lesões musculares e articulares, afetando diretamente o desempenho atlético”, afirmou.
A responsável explicou que a inflamação crónica associada a doenças como a periodontite pode ter um impacto sistémico, aumentando o risco de infeções e prolongando os períodos de recuperação após treinos intensos ou competições. “As infeções orais atuam como um foco constante de bactérias e mediadores inflamatórios, o que pode aumentar a suscetibilidade a infeções sistémicas, especialmente em fases de elevada carga de treino”, acrescentou.
Entre os principais fatores que contribuem para a elevada incidência destes problemas estão o consumo frequente de produtos açucarados, como bebidas desportivas e géis energéticos, bem como a diminuição do fluxo salivar provocada pelo exercício físico intenso. A desidratação e hábitos de higiene oral inadequados agravam ainda mais o quadro clínico dos atletas.
Cristina López de la Torre defendeu que “os atletas devem estar conscientes de que o cuidado oral é tão importante como qualquer outra componente da sua preparação física”, sublinhando a necessidade de integrar a saúde oral nos programas de treino desportivo.
O artigo, publicado na revista Sport Training por docentes da Universidade Europeia, apresenta várias estratégias para mitigar estes problemas e proteger a saúde oral dos atletas. Entre as recomendações estão bochechar a boca imediatamente após o consumo de hidratos de carbono, evitar escovar os dentes logo após a ingestão de bebidas ácidas, de forma a proteger o esmalte, e manter uma alimentação equilibrada, rica em proteínas e gorduras saudáveis.
Os investigadores apontam ainda o uso de probióticos como uma estratégia complementar, capaz de promover uma microbiota oral equilibrada e reduzir a inflamação.
De acordo com os autores, a integração da saúde oral na medicina desportiva tem impacto não só na prevenção de doenças, mas também na melhoria do desempenho físico. “Considerar a saúde oral como mais um pilar dos cuidados ao atleta permitirá que este atinja o seu potencial máximo, reduzindo o risco de doença e otimizando o desempenho”, concluem.
SO/LUSA
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