26 Jan, 2026

Gripe abranda em Portugal, mas mantém-se excesso de mortalidade

O INSA indica que a circulação do vírus da gripe permanece elevada na maioria dos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, embora o pico da atividade gripal já tenha, aparentemente, sido ultrapassado na maioria desses países.

Gripe abranda em Portugal, mas mantém-se excesso de mortalidade

A atividade gripal epidémica está a abrandar em Portugal, com uma redução do número de casos de gripe, de infeções respiratórias graves e de internamentos em unidades de cuidados intensivos, embora se mantenha um excesso de óbitos, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA).

De acordo com o boletim de vigilância epidemiológica da gripe e outros vírus respiratórios, relativo à semana de 12 a 18 de janeiro, a “atividade gripal epidémica está em tendência decrescente” no país.

Desde o início da época gripal, a 29 de setembro de 2025, os laboratórios da Rede Portuguesa de Laboratórios para o Diagnóstico da Gripe e Outros Vírus Respiratórios notificaram 73.292 casos de infeção respiratória, dos quais 14.243 foram confirmados como gripe.

Na semana em análise, foram identificados 495 casos de gripe, menos 258 do que na semana anterior. Foram ainda admitidos 75 casos de infeção respiratória aguda grave (SARI) nas Unidades Locais de Saúde, menos cinco do que na semana precedente, correspondendo a uma taxa de incidência de 9,6 casos por 100 mil habitantes.

O INSA sublinha que, apesar da tendência global de descida, a análise é condicionada pelo facto de apenas duas ULS terem reportado dados para a vigilância SARI, apresentando taxas de incidência “muito díspares”. Acrescenta ainda que a incidência destas infeções permanece mais elevada nas pessoas com 65 ou mais anos, apesar da diminuição registada nas últimas semanas.

Entre 12 e 18 de janeiro, foram notificados oito casos de gripe em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) pelas 11 unidades que enviaram informação, menos três do que na semana anterior. Seis dos doentes tinham 65 ou mais anos, um encontrava-se no grupo etário dos 55 aos 64 anos e outro entre os 45 e os 54 anos.

A maioria dos doentes apresentava doença crónica subjacente e sete tinham recomendação para vacinação contra a gripe sazonal, embora apenas dois estivessem vacinados. A proporção de casos de gripe em UCI foi de 9,1%, inferior à registada na semana anterior (10,5%).

O boletim refere ainda que a deteção do vírus sincicial respiratório (RSV) tem vindo a aumentar, em paralelo com a diminuição da deteção do vírus da gripe. Desde o início da época, foram identificados outros agentes respiratórios em 5.476 casos, sendo o RSV o mais frequentemente detetado, incluindo 410 casos na última semana analisada.

No que respeita às crianças, foram reportados 111 internamentos por infeção por RSV em menores de 24 meses, desde o início da época, na rede de vigilância sentinela VigiRSV. Do total, 20,7% tinham idade igual ou inferior a três meses, 18,6% eram prematuras, 17,8% apresentavam baixo peso e 4,5% necessitaram de cuidados intensivos ou de ventilação.

Apesar do abrandamento da atividade gripal, o INSA alerta que a mortalidade por todas as causas continua acima do esperado em Portugal. Na semana passada, foram identificados excessos de mortalidade nas regiões Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo, em ambos os sexos e nos grupos etários acima dos 75 anos.

Relativamente ao contexto internacional, o INSA indica que a circulação do vírus da gripe permanece elevada na maioria dos países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu, embora o pico da atividade gripal já tenha, aparentemente, sido ultrapassado na maioria desses países. O vírus da gripe A(H3N2) continua a ser o subtipo dominante, seguido do A(H1N1)pdm09.

O instituto reforça que a vacinação continua a ser a medida mais eficaz para prevenir formas graves de doenças respiratórias virais, apelando à vacinação das pessoas elegíveis, em especial daquelas com maior risco de complicações.

SO/LUSA

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