Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências alerta para agravamento do jogo e promete medidas eficazes “em breve”
A presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências alertou para o agravamento da adição ao jogo, mas frisou que não basta proibir a publicidade para se resolver este problema de saúde.

Existe um agravamento dos comportamentos aditivos associados ao jogo e a presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) defende a necessidade de “medidas eficazes”, que, disse, estão atualmente a ser “devidamente estudadas”.
Em audição na Comissão de Economia e Coesão Territorial, a pedido do Livre, Joana Teixeira afirmou que a regulação da publicidade ao jogo e às apostas está entre as prioridades, sublinhando a necessidade de impor limites horários e de reforçar a atenção ao impacto das redes sociais, sobretudo junto dos mais jovens.
“As várias medidas estão, neste momento, a ser estudadas e irão ser apresentadas em breve e numa altura que seja também pertinente”, afirmou a responsável, no âmbito da discussão sobre a publicidade e o patrocínio ligados ao jogo.
Segundo Joana Teixeira, mais do que a proibição total da publicidade, poderá ser decisiva “a redução dos horários em que a publicidade é feita, para não haver a possibilidade dos menores estarem a observar”.
A presidente do ICAD reconheceu, no entanto, que a regulação nas plataformas digitais levanta maiores dificuldades. “Nas redes sociais e nos influencers é mais complicado”, salientou, alertando para conteúdos que promovem “ganhos fáceis e um estilo de vida fácil de conseguir através do jogo”, tornando-os particularmente perigosos para pessoas vulneráveis.
Joana Teixeira defendeu ainda uma abordagem interministerial ao problema. “Não é uma questão puramente técnica. Temos que envolver aqui outros setores de outros ministérios para termos uma ação mais concertada”, afirmou.
Questionada sobre o risco de uma eventual migração para o jogo ilegal, mostrou-se cautelosa, afirmando não existir evidência científica que permita confirmar esse cenário. “Se nós não temos evidência científica que comprove que isso é realmente uma questão, eu não posso nem dizer que sim ou que não”, referiu.
A responsável destacou vários programas de prevenção já em curso, como “Eu e os Outros”, “Não jogues com o teu futuro” e “What’s UP Tu Decides”, garantindo que o ICAD está “muito atento a esta problemática” e que apresentará “mais medidas estruturadas em breve”.
Anunciou também a criação do Fórum do Jogo, prevista para o primeiro semestre do ano, bem como a inclusão de um programa específico para o tratamento das perturbações do jogo nas comunidades terapêuticas, até agora centradas sobretudo no álcool e nas drogas ilícitas.
“Neste conselho interministerial, que irá ser convocado agora no primeiro semestre, também iremos debater as medidas que podem ser implementadas e apresentar as que já temos”, adiantou.
Joana Teixeira alertou, contudo, para a necessidade de um planeamento rigoroso antes da implementação das medidas, lembrando que os recursos são limitados. “O Orçamento do Estado não estica e, portanto, temos que conseguir gerir da melhor forma, em benefício do serviço público, o nosso orçamento”, frisou.
No que diz respeito ao tratamento, revelou que o número de utentes em acompanhamento ambulatório na rede pública de comportamentos aditivos e dependências tem aumentado, passando de 358 pessoas em 2023 para 548 em 2024, sendo a maioria homens e com maior incidência na faixa etária dos 25 aos 34 anos.
Sobre a comparação entre o jogo e o consumo de álcool, a presidente do ICAD considerou que “as semelhanças são enormes”, mas assinalou que existe “uma maior sensibilidade para o caráter patológico que pode advir do jogo”, enquanto o consumo de álcool continua a estar “muito mais normalizado” na sociedade.
SO/LUSA
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