Técnicos de emergência exigem explicações ao INEM sobre critérios e tempos do novo sistema de triagem
A Associação Nacional de Técnicos de Emergência Médica quer esclarecimentos urgentes do INEM sobre o novo sistema de triagem das chamadas para o 112, alertando para a falta de transparência na definição das prioridades e no início da contagem dos tempos de resposta.

A Associação Nacional de Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) pediu hoje ao INEM que esclareça o funcionamento prático do novo sistema de triagem, nomeadamente quando começa a contar o tempo de resposta e quem assume a responsabilidade clínica na atribuição das prioridades.
Em comunicado, a ANTEM considera que, apesar da divulgação pública de alterações no atendimento das chamadas, da introdução de novos tempos de resposta e da revisão das prioridades, o sistema de triagem “permanece exatamente igual”, sem mudanças nos fluxos de funcionamento dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
A associação questiona em que momento se inicia a contagem do tempo de resposta — se quando o cidadão liga para o 112, quando a chamada é atendida, após a triagem clínica ou apenas no momento em que o meio de socorro é acionado — considerando que, sem esta clarificação, falar de tempos de resposta “é apenas discurso vazio, feito para efeitos mediáticos”.
Na sexta-feira, o INEM anunciou a entrada em funcionamento de um novo modelo de triagem, semelhante ao utilizado nos serviços de urgência hospitalares, que estabelece cinco níveis de prioridade: emergente, muito urgente, urgente, pouco urgente e não urgente. Segundo o presidente do INEM, Luís Cabral, o objetivo é “enviar a ambulância certa para a pessoa certa na hora certa”.
De acordo com o INEM, as situações emergentes implicam resposta imediata, os casos muito urgentes devem ter um primeiro meio no local até 18 minutos, os urgentes até 60 minutos e os pouco urgentes até 120 minutos. As situações consideradas não urgentes não implicam o envio de meios de emergência, sendo a chamada encaminhada para a linha SNS 24.
A ANTEM questiona ainda quem define, na prática, as prioridades atribuídas — se o software Tetricosy ou os médicos reguladores — e como estas novas categorias serão operacionalizadas pelos meios de emergência, incluindo se as ambulâncias continuarão a circular em marcha de urgência para ocorrências de menor prioridade.
A associação pergunta também se os parceiros do sistema, como bombeiros, Cruz Vermelha e entidades privadas, foram informados sobre os novos critérios de resposta.
Defendendo que um serviço público exige transparência, prestação de contas e informação clara à população, a ANTEM alerta que, sem critérios públicos, métricas objetivas e mudanças efetivas na triagem, o sistema continuará “no mesmo ponto”, considerando essa situação “politicamente inaceitável”.
Segundo o relatório de atividades do INEM relativo a 2024, divulgado em setembro, quase 21 mil vítimas não tiveram o nível de socorro considerado adequado.
LUSA/SO
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