16 Dez, 2025

Portugueses recorrem menos à prevenção e adotam cuidados de saúde mais reativos, revela estudo

Questionados sobre a principal prioridade em matéria de saúde, quase um quarto dos inquiridos (23,6%) aponta a redução do stress e da ansiedade.

Portugueses recorrem menos à prevenção e adotam cuidados de saúde mais reativos, revela estudo

O acesso aos serviços de saúde em Portugal ficou este ano marcado por uma diminuição da prevenção regular, com menos visitas frequentes ao médico e uma abordagem mais reativa aos cuidados de saúde. A conclusão consta da segunda edição do Estudo Nacional de Saúde – Estado de Saúde Geral da População Portuguesa, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, que faz o balanço anual da relação dos portugueses com a saúde.

De acordo com o estudo, as consultas regulares diminuíram de forma significativa. Apenas 14,8% da população entre os 18 e os 64 anos consultou um médico com uma regularidade inferior a seis meses, uma descida face aos 19,1% registados no período anterior. Em contrapartida, 30,3% dos portugueses vão ao médico apenas uma vez por ano e 22,8% recorrem à consulta apenas quando sentem necessidade.

Entre os que não consultam um médico há mais de um ano, 27,6% apontam dificuldades de acesso — como problemas nas marcações, longas listas de espera ou indisponibilidade de serviços —, enquanto 66,8% afirmam não sentir necessidade de o fazer.

Também na realização de exames médicos se observa uma tendência semelhante. Quase um quinto dos portugueses (18,2%) faz exames apenas de dois em dois ou de três em três anos e 13,4% só os realiza quando se sente mal. Ainda assim, a maioria da população (68,4%) continua a efetuar análises ou exames complementares de diagnóstico pelo menos uma vez por ano.

Para José Almeida Nunes, médico internista e autor de vários livros sobre prevenção em saúde, os resultados são preocupantes. “O estudo mostra-nos que os portugueses continuam a desvalorizar a prevenção e isso acaba por resultar em diagnósticos tardios, que dificultam ou até impedem o tratamento de muitas doenças. Continuamos a cuidar quando é preciso e não antes de ser preciso, e precisamos de inverter esta realidade em Portugal”, afirmou.

Redução do stress lidera prioridades de saúde

Questionados sobre a principal prioridade em matéria de saúde, quase um quarto dos inquiridos (23,6%) aponta a redução do stress e da ansiedade. Seguem-se o aumento da energia e a redução da fadiga diária (17,7%) e o controlo do peso (17,2%). Em paralelo, a toma de suplementos alimentares é um hábito regular para 22,1% da população.

Estado de saúde considerado “bom”

Apesar do menor recurso à prevenção, os portugueses avaliam de forma positiva o seu estado geral de saúde, atribuindo-lhe uma pontuação média de 75,8 numa escala de 0 a 100, valor semelhante ao do último ano analisado (74,9).

Esta perceção positiva é transversal às várias faixas etárias e regiões, embora com valores abaixo da média entre os 45 e os 54 anos (73,9 pontos), entre os 55 e os 64 anos (73,5) e entre os residentes no Grande Porto (73,8) e no Litoral Centro (74,6). O estudo confirma ainda uma relação direta entre bem-estar emocional e perceção da saúde: os indivíduos que referem baixos níveis de stress nos últimos seis meses atribuem ao seu estado de saúde uma classificação “excelente”, com 82,7 pontos.

Consultas de especialidade com padrões desiguais

O estudo revela também que 93,3% dos portugueses tiveram pelo menos uma consulta de especialidade em 2025, um valor em linha com a edição anterior (94,0%). No entanto, quase 60% da população não teve qualquer consulta de Saúde Oral no último ano.

A Oftalmologia e a Ginecologia surgem como as especialidades seguintes mais procuradas, mas apenas por 25,2% e 15,0% dos inquiridos, respetivamente. A área da saúde mental continua a apresentar níveis reduzidos de procura: só 9,8% dos portugueses recorreram a consultas de Psicologia no último ano e apenas 5,8% consultaram Psiquiatria.

Os resultados do estudo traçam, assim, o retrato de uma população que avalia positivamente a sua saúde, mas que continua a privilegiar a resposta à doença em detrimento da prevenção.

SO

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