Gripe aumenta procura das urgências, SNS 24 e INEM
O crescimento dos casos de gripe foi mais expressivo nos adultos entre os 19 e os 59 anos, com uma proporção de 26,6% (+4,0 p.p.), e na população com 65 ou mais anos, que registou 20% (+1,1 p.p.)

Impulsionada pelo crescimento dos casos de gripe e de infeções respiratórias, que atingiram níveis superiores aos registados em épocas anteriores, aumentou entre 1 e 7 de dezembro, a procura das urgências hospitalares, da Linha SNS 24 e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). Os dados foram divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).
De acordo com o Relatório de Resposta Sazonal em Saúde — Vigilância e Monitorização, neste período registou-se um total de 128.602 episódios de urgência hospitalar, o que representa um aumento de 1,7% face à semana anterior. A subida foi acompanhada por um acréscimo dos episódios relacionados com infeção respiratória aguda, que passaram a representar 8,1% do total (+1,2 pontos percentuais), e por síndrome gripal, que atingiu 3,62% dos atendimentos (+1,56 p.p.).
O crescimento dos casos de gripe foi mais expressivo nos adultos entre os 19 e os 59 anos, com uma proporção de 26,6% (+4,0 p.p.), e na população com 65 ou mais anos, que registou 20% (+1,1 p.p.). A DGS sublinha que, quando comparada com épocas anteriores, a proporção de episódios de urgência por síndrome gripal é superior a todas as registadas anteriormente e ocorreu de forma mais precoce.
Apesar do aumento da procura, verificou-se uma ligeira diminuição da proporção de episódios de urgência por síndrome gripal que resultaram em internamento, fixando-se em 8,3% (-0,1 p.p.).
A nível nacional, observou-se também um aumento da média móvel a sete dias da ocupação de camas em enfermaria por todas as causas, que atingiu 80,1%, bem como da ocupação de camas em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), que subiu para 70,1%. Segundo o relatório, a proporção de doentes com diagnóstico de gripe admitidos em UCI diminuiu para 2,6%.
A mortalidade geral manteve-se dentro dos valores esperados, embora se tenha registado excesso na região Norte e no grupo etário entre os 75 e os 84 anos. A mortalidade proporcional por doenças do sistema respiratório apresentou uma tendência crescente, atingindo 12,1%, valor superior ao observado no início da época gripal, mas ainda abaixo do máximo registado na época 2024/2025.
Os dados revelam igualmente um aumento de 4% nos atendimentos da Linha SNS 24, que totalizaram 90.294 contactos. Embora as chamadas triadas por febre tenham diminuído 10,5%, para 1.070, os contactos relacionados com problemas respiratórios agudos aumentaram 21,4%, totalizando 30.166 atendimentos. Apesar do crescimento global da procura, os encaminhamentos para os serviços de urgência diminuíram 2,9%, assim como para os cuidados de saúde primários (-3,4%) e para o INEM (-74,5%). Em contraciclo, aumentaram os encaminhamentos para autocuidados (5,4%).
O INEM registou igualmente uma subida de 6,9% no número de chamadas, totalizando 36.382, e um aumento de 4,6% no número de ocorrências, que ascenderam a 33.166.
Nos cuidados de saúde primários do Serviço Nacional de Saúde verificou-se uma diminuição de 21,9% das consultas médicas, embora tenha aumentado a proporção de consultas relacionadas com infeção respiratória aguda e síndrome gripal.
Foram ainda notificados 16 casos de infeção por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças com menos de dois anos, enquanto a notificação de casos de infeção por SARS-CoV-2 se manteve estável. As coberturas vacinais contra a covid-19 e contra a gripe nos grupos etários com 60 ou mais anos situaram-se em cerca de 37% e 62%, respetivamente.
No âmbito do Programa Nacional de Vigilância da Gripe, a DGS refere que a atividade gripal se encontra em fase epidémica, com tendência crescente. A autoridade de saúde apela à vacinação contra a gripe e a covid-19 e reforça a importância de utilizar a Linha SNS 24 (808 24 24 24) como primeiro ponto de contacto com o sistema de saúde.
SO/LUSA
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