Além da contraceção: sustentabilidade e fertilidade na consulta de Planeamento Familiar
Coordenador do Centro PMA, Hospital Lusíadas Lisboa; Presidente Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução; Vice-Presidente Sociedade Portuguesa de Ginecologia; Vice-Presidente da Federación Iberoameicana de Repoducción Humana

Além da contraceção: sustentabilidade e fertilidade na consulta de Planeamento Familiar

Existe a ideia frequente de que o limite da fertilidade é a menopausa. Mas, de facto, há uma redução acentuada da fertilidade a partir dos 40 anos de idade das mulheres, em que a gravidez pode ser difícil de se concretizar.  Apesar de que a contraceção que se queira eficaz, se deva manter até à menopausa, é nosso dever relembrar esta redução da fertilidade na consulta de Planeamento Familiar.

A razão disso acontecer prende-se com o acumular de alterações cromossómicas nos ovócitos restantes duma reserva ovárica finita. Temos alternativas que passam pela preservação da fertilidade, com congelamento de ovócitos, idealmente realizada até aos 36 anos. A sua utilização posterior, em idades mais avançadas, terá uma probabilidade de gravidez maior, correspondente à associada à idade de colheita de ovócitos. Se isso não foi feito, e a gravidez continue a não acontecer nestas idades tardias, poderá ser necessário recorrer a programas de doação ovocitária.

Mas, temos também a necessidade de promover a gravidez em idades mais jovens. Essa posição implica que tenhamos também de ter a missão de alertar os decisores políticos para políticas laborais que promovam a maternidade, com licenças mais alargadas, o trabalho híbrido ou a flexibilidade de horários.

O Movimento + Fertilidade surgiu em junho de 2025 e visa a promoção da fertilidade, atuando em 3 pilares: educação para a fertilidade, promoção de políticas laborais fertility friendly ou family building e acesso a centros de Medicina da Reprodução com capacidade para realizar tratamentos atempadamente.

No Movimento estão envolvidas a Associação Portuguesa de Fertilidade, a Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, o Colégio da Subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos. Associa-se neste Encontro de Outono, a APMFG, que será um contributo indispensável para a literacia sobre os limites da fertilidade. Podemos, todos, ir para além da contraceção e prevenir a ocorrência da infertilidade.

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