8 Set, 2025

Clínicas de proximidade em Lisboa realizaram quase seis mil consultas no primeiro ano de atividade

As clínicas de proximidade dão apoio a utentes sem médico de família e com condições socioeconómicas mais baixas. O projeto dá acesso a consultas de Medicina Geral e Familiar, Nutrição e Enfermagem.

Clínicas de proximidade em Lisboa realizaram quase seis mil consultas no primeiro ano de atividade

As duas clínicas de proximidade abertas, em 2024, no Bairro do Armador e na Alta de Lisboa realizaram, em conjunto, perto de seis mil consultas de Medicina Geral e Familiar (MGF), Nutrição e Enfermagem, numa população marcada pela carência socioeconómica e onde mais de metade dos utentes não tem médico de família.

As unidades integram o projeto +Saúde, desenvolvido pelos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, em parceria com a empresa municipal Gebalis, e têm vindo a colmatar lacunas no acesso ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). De acordo com os dados divulgados, desde a abertura — em março, no Bairro do Armador, e em maio, na Alta de Lisboa — foram feitas 2.296 consultas de MGF, mais de 470 de Nutrição e mais de 3.000 de Enfermagem.

Na UCSP do Bairro do Armador, onde estão inscritos mais de 22 mil utentes, 13.173 continuam sem médico de família. Na Alta de Lisboa, a situação é ainda mais crítica: menos de 30% dos 37.560 inscritos na UCSP Santa Clara e Lumiar têm médico atribuído. “As pessoas têm dois tipos de desfavorecimento: económico-financeiro e de falta de conhecimento”, explicou à agência Lusa o diretor clínico dos Serviços Sociais da autarquia, Rui Julião, sublinhando a ligação entre pobreza e maior carga de doença.

Apesar de alguma resistência inicial, a adesão às consultas de Nutrição ultrapassa agora os 80% de taxa de presença, enquanto a procura pelos serviços de Enfermagem — como medições de pressão arterial, glicemia ou cuidados pós-operatórios — tem sido considerada um “sucesso”.

O investimento inicial das clínicas foi de 21 mil euros no Armador e 35 mil na Alta de Lisboa, com despesas anuais de funcionamento de 78 mil e 60 mil euros, respetivamente. Para Rui Julião, a aposta justifica-se e poderá evoluir para novas áreas: “Trata-se de uma educação para criar hábitos saudáveis. Queremos levar a Nutrição às escolas e alargar a saúde materno-infantil”. O responsável defende mesmo uma “verdadeira municipalização da saúde”, como forma de garantir maior proximidade e equidade no acesso.

Também o médico João Carmona, responsável pelas consultas no Armador, alerta para a realidade vivida no terreno: “É uma população carente, muito envelhecida e sem acesso regular a cuidados médicos. Estas unidades colmatam um pouco essa necessidade, nem que seja para assegurar a medicação”.

O clínico recorda, ainda, que a freguesia continua a crescer e que os serviços de saúde existentes estão sobrecarregados. “Muitas pessoas acabam por procurar as urgências hospitalares por falta de resposta nos centros de saúde”, concluiu.

SO/LUSA

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