5 Ago, 2025

Um em cada três médicos apresenta trauma psicológico intenso após pandemia

Um estudo da FNAM conclui que um em cada três médicos manifesta sintomas de trauma psicológico intenso desde a pandemia. A Federação defende mais medidas de proteção para quem se mantém na linha da frente.

Um em cada três médicos apresenta trauma psicológico intenso após pandemia

Um estudo recente sobre o impacto da pandemia de covid-19 na saúde mental dos médicos, em Portugal, revela dados preocupantes: um em cada três profissionais apresenta trauma psicológico intenso, 10% admite ter ideação suicida e quase metade manifesta níveis elevados de ansiedade.

A investigação, desenvolvida pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM), em colaboração com a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, aponta para um “impacto severo e prolongado” da crise pandémica na saúde psicológica destes profissionais.

Segundo os dados recolhidos junto de 130 médicos, 28% apresenta níveis elevados de burnout, 39% sofre de depressão significativa e 34% revela sintomas de trauma psicológico intenso. Além disso, 44% avaliam a sua saúde psicológica como má e 45% referem agravamento em relação ao período mais crítico da pandemia.

Apesar de reconhecer limitações no estudo, devido ao número reduzido de participantes e à sua distribuição geográfica, a FNAM considera que os resultados são “um alerta incontornável”. “Os médicos sofrem com o desgaste físico, emocional e mental da sua profissão”, refere a federação, sublinhando que “é urgente cuidar de quem salva vidas”.

Entre as conclusões, o estudo destaca que ansiedade e depressão são fortes preditores de burnout, enquanto o stress pós-traumático e a ideação suicida apresentam relação direta entre si. Curiosamente, não foram encontradas diferenças significativas associadas ao contacto direto com doentes com covid-19, mas verificaram-se níveis mais elevados de sofrimento em médicas, profissionais com jornadas prolongadas e aqueles que já procuraram ajuda.

Mais de três em cada quatro médicos afirmaram que as suas jornadas semanais ultrapassavam o tempo previsto, devido sobretudo à excessiva carga burocrática, elevada pressão assistencial e falta de recursos humanos.

A FNAM salienta, ainda, que os relatos recolhidos reforçam o impacto dos momentos traumáticos vividos durante os primeiros meses da pandemia, evidenciando um sofrimento psicológico persistente e queixas contínuas de exaustão emocional acumulada.

Face a estes resultados, a federação defende que o Serviço Nacional de Saúde deve reforçar as medidas de proteção e apoio psicológico aos profissionais de saúde, garantindo condições adequadas a quem continua na linha da frente.

SO/LUSA

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