Técnicos pedem demissão do presidente do INEM e criticam modelo de emergência
A ANTEM exige a saída do presidente do INEM, acusando-o de manter um modelo "ultrapassado" de emergência pré-hospitalar, com equipas pouco diferenciadas e tempos de resposta críticos, pondo em causa a segurança dos cidadãos.

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) pediu esta quinta-feira a demissão do presidente do INEM, acusando-o de insistir num modelo de emergência pré-hospitalar considerado “ultrapassado” e ineficaz.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a associação critica o facto de mais de 90% dos pedidos de socorro serem respondidos por equipas com “baixa diferenciação técnica”, que, na sua perspetiva, deveriam receber mais formação e treino especializado.
“A manutenção deste modelo, sucessivamente contestado por especialistas e entidades do setor, tem conduzido a um socorro de qualidade inferior, colocando em causa a prestação de cuidados médicos de emergência adequados”, lê-se na nota.
A ANTEM sublinha ainda as “trapalhadas” associadas ao concurso internacional para o serviço de helitransporte de emergência médica e considera “profundamente preocupantes” os recentes problemas no funcionamento do INEM, nomeadamente os tempos de resposta “largamente ultrapassados”, que colocam em risco a vida dos utentes.
Os técnicos recordam que os casos divulgados recentemente — alguns com mortes e outros sob investigação pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde — “não são episódios isolados”, mas revelam “disfunções estruturais persistentes” num serviço que “deveria ser exemplo de eficiência, rigor técnico e respeito institucional”.
A associação também contesta a intenção anunciada pelo presidente do INEM de descentralizar o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) e permitir que alguns postos funcionem em regime de teletrabalho, medida justificada com a necessidade de recrutar mais profissionais.
Para a ANTEM, esta proposta demonstra “desconhecimento das exigências técnicas do serviço”, uma vez que as centrais de atendimento e despacho médico “exigem a presença física de médicos com preparação para decisões em tempo real”.
Perante o atual cenário, a associação defende que Sérgio Janeiro “não reúne, neste momento, condições para continuar a exercer funções”, argumentando que a confiança dos cidadãos na resposta de emergência está “profundamente abalada” e que a sua permanência no cargo “prejudica a credibilidade do instituto e compromete a segurança de quem dele depende”.
LUSA/SO
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