11 Jul, 2025

Cuidadores informais têm risco 51% maior de depressão

O alerta para os problemas de saúde mental dos cuidadores informais é lançado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses e constam do documento “Vamos Falar Sobre Autocuidado dos Cuidadores Informais” .

Cuidadores informais têm risco 51% maior de depressão

 “Vamos Falar Sobre Autocuidado dos Cuidadores Informais” é uma publicação da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) que salienta a importância de se apostar em políticas de apoio para as mais de 1,4 milhões de pessoas que prestam cuidados diretos, não remunerados, a familiares, amigos ou vizinhos em situação de dependência.

“Cuidar de alguém pode ser profundamente gratificante, mas também emocional, física e socialmente exigente”, realça-se, em comunicado. Os cuidadores informais têm um risco 51% maior de depressão e até 38% de problemas de ansiedade. Ainda segundo o documento,  mais de 86% dos cuidadores informais são mulheres e 88,3% reportam já ter experienciado exaustão emocional.

As consequências negativas são cansaço e fadiga, desconforto, lesões musculoesqueléticas (contraturas, dores lombares e cervicais, fraturas ósseas e hérnias, entre outras), dificuldades em dormir e descansar, capacidade diminuída de autoavaliação do estado de saúde, sistema imunológico enfraquecido, maior risco de doenças crónicas e de mortalidade.

Acresce, ainda, maior vulnerabilidade e necessidade de apoio social e financeiro, oportunidades profissionais limitadas, isolamento social involuntário, menor participação em atividades comunitárias, aumento de despesas relacionadas com cuidados, diminuição da satisfação conjugal e agravamento de conflitos familiares. Sentimentos como preocupação, medo, angústia, tristeza, culpa e irritabilidade são frequentes.

Perante este cenário, a OPP reforça que “o autocuidado não é egoísmo, é uma necessidade” e que os cuidadores informais precisam de manter a sua própria saúde física e psicológica, para conseguirem prestar apoio continuado e de qualidade.

E lembra a importância de se pedir apoio psicológico, já que 8 em cada 10 refere essa necessidade, mas apenas 4 em 10 o procuraram. “Para quem conhece alguém em situação de cuidador informal, o apoio passa por ouvir, ajudar em tarefas concretas, conhecer a pessoa cuidada e reconhecer o valor do trabalho invisível que é cuidar.”

A Ordem dos Psicólogos lançou, também, um Policy Brief com propostas para os decisores políticos, que passam por estabelecer políticas laborais que garantam o direito à assistência da pessoa cuidada, estabelecer um período alargado de faltas justificadas e licenças de assistência sem quebra de remuneração no apoio urgente ou programado.

Maria João Garcia

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