Livro aborda importância da gestão de crises na saúde
A crise em relação às alegadas consequências da greve do INEM motivou a criação deste ebook, refere a agência responsável. O SaúdeOnline falou com o especialista de comunicação que coordenou a criação do livro.

O “Manual de Gestão de Riscos e de Resposta à Crise”, disponível online e de forma gratuita, apresenta oito boas práticas para prevenir e mitigar os impactos das crises na imagem das organizações de saúde. Desenvolvido pela Onya Health, agência de comunicação especializada no setor, este manual é um guia prático que promove estratégias de comunicação eficazes e responsáveis. E tudo surgiu depois da crise do INEM.
Ao SaúdeOnline, Gabriel Rodrigues Ribeiro, consultor de comunicação e de assuntos públicos na Onya Health, explica que “a gravidade do episódio aumentou com o silêncio das instituições nos primeiros momentos” e que “a investigação do Ministério Público vai fazer voltar o tema à espuma dos dias”. Este livro, desenvolvido para o setor da saúde, vem agora ajudar as organizações a traçar um plano de gestão de crises.
“O discurso público que adotamos logo no início das crises vai orientar e definir os momentos mediáticos, por isso é que é importante haver uma estratégia. A afirmação sobre o desconhecimento dos pré-avisos de greve, o silêncio inicial e as declarações reativas quando o caso se tornou mediático foram os pontos críticos neste episódio”, diz Gabriel Rodrigues Ribeiro.
A juntar a tudo isto, o especialista explica que o episódio ficou marcado por alguma “falta de sensibilidade”: “o número de mortes alegadamente associadas aos constrangimentos do INEM foi subindo, mas por parte das instituições não se ouviam declarações de solidariedade para com as famílias das vítimas”, diz. “Houve até um soundbite contrário, em que o Primeiro-Ministro duvidava que todas as mortes estivessem associadas aos constrangimentos. Isto impacta a imagem pública”.
Além disso, Gabriel Rodrigues Ribeiro aponta uma bola de neve nos acontecimentos. “A intervenção direta do Presidente da República apenas reforçou a necessidade de uma resposta bem gerida, transparente e solidária”, continua. “As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa marcaram a agenda e apontaram os holofotes para a ministra, o que não era desejável naquela fase. Houve a expectativa geral que, depois desta intervenção, existisse um momento de mea culpa”.
“Não nos podemos esquecer que a aptidão política está intrinsecamente ligada à aptidão comunicativa. Esta é uma área em que precisamos de apostar, principalmente em pastas tão fraturantes como a Saúde, Justiça ou Administração Interna. Precisamos de melhorar a comunicação das instituições”.
Este episódio marcou a agenda mediática durante vários dias. Esta foi uma das razões que levaram a Onya Health a redigir e disponibilizar um manual de gestão de crises, que promete ajudar as organizações. O livro já foi enviado para empresas públicas, instituições privadas e Unidades Locais de Saúde.
No entanto, o consultor de comunicação refere que não existe um milagre. “Este manual não oferece respostas, porque cada crise é diferente, com origens diferentes e gravidades diferentes. O nosso objetivo foi fornecer estratégias para atenuar o impacto negativo das crises de comunicação na imagem das organizações”, afirma.
O livro oferece uma abordagem estruturada para crises, identificando as suas respetivas fases, desde a identificação dos potenciais riscos até ao pós-crise. Inclui ainda diretrizes para a formação de gabinetes de crise e aconselhamento de formação em media training. “O objetivo é que as organizações de saúde estejam preparadas para enfrentar qualquer problema de reputação de forma coordenada, com mensagens-chave que transmitam segurança e empatia.”
A Onya Health espera vir a lançar, brevemente, outras ferramentas para o setor da saúde, como um manual de boas práticas na assessoria de imprensa ou como aproveitar as potencialidades das redes sociais.
SO












