Problemas de comunicação entre a escola e os serviços de saúde dificultam promoção da saúde mental
A equipa do projeto “Let’s Talk About Children”, coordenada em Portugal pela Universidade de Coimbra (UC), divulgou um documento que identifica os principais desafios e oportunidades para a promoção da saúde mental na comunidade escolar.

A equipa da UC destaca cinco desafios que estão a pôr em causa, de alguma forma, a promoção da saúde mental na comunidade escolar. Além das dificuldades de comunicação entre a escola e os serviços de saúde, verificam-se também constrangimentos na resposta “à crescente necessidade de apoio a crianças e jovens com problemas de saúde mental”; na comunicação entre a escola e as famílias; lacunas na formação dos professores e educadores; e dificuldades na implementação integrada de políticas sociais, educativas e de saúde.
No documento são também identificadas oportunidades de melhoria, para que se possa estabelecer, no futuro, “uma abordagem mais integrada para trabalhar com as famílias em prol do bem-estar das crianças”.
As medidas incluem intervenções para prevenção primária e secundária de problemas de saúde mental na população escolar, promoção de colaboração regular entre os professores/educadores e os profissionais de saúde mental e a capacitação dos professores e educadores para reconhecerem e apoiarem crianças.
A promoção da saúde mental entre as crianças/jovens é uma prioridade a nível internacional, nomeadamente para a Organização Mundial da Saúde e para a União Europeia. O projeto “Let´s Talk About Children” tem como missão promover a saúde mental de crianças oriundas de contextos familiares vulneráveis, como, por exemplo, famílias em que há casos de doença mental, carências económicas ou dificuldades na integração social.
Está a ser implementado em Portugal e noutros 8 países europeus desde 2023, no âmbito do programa EU4Health, financiado pela Comissão Europeia, sendo coordenado a nível nacional pela Faculdade de Medicina da UC (FMUC).
O documento orientador agora publicado resultou da auscultação de entidades que prestam apoio a famílias em situações de vulnerabilidade (como escolas, autarquias, serviços de saúde e associações).
Em respostas aos desafios enumerados neste documento orientador, vai ter início, a 12 de outubro, o programa de capacitação de cerca de 60 profissionais que lidam com as famílias e com as crianças nos contextos educativo e da saúde. O grupo incluirá professores e educadores desde o ensino pré-escolar até ao 12.º ano, assim como profissionais da área da saúde (psicólogos, enfermeiros, médicos) e outros técnicos superiores.
“Este treino vai potenciar a aquisição de competências para que estes profissionais possam reconhecer precocemente famílias em situação de vulnerabilidade e, através de intervenções preventivas multidisciplinares, promover as competências parentais, o desenvolvimento psicossocial das crianças e a saúde mental de toda a família”, informa a equipa da UC.
MJG
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