Reflexão em torno do conceito de educação…uma perspetiva!
Enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação
16 Ago, 2024

Reflexão em torno do conceito de educação…uma perspetiva!

Este meu artigo de opinião pretende partilhar com o leitor uma perspetiva individual, relativamente ao conceito de educação, definido e analisado ao longo de décadas por diversos autores, e que foi sendo descrito na literatura. Propõe-se, assim, um percurso evolutivo, embora de forma sumária, sobre os diferentes entendimentos assumidos ao longo da história recente.

A educação assume-se como condição singular para incorporar o pensamento teórico e a atividade reflexiva da governação social, sendo assumido atualmente que é geradora e/ou potenciadora de uma transformação, quer individual, quer comunitária.

A literatura salienta o entendimento conceptual em torno da moralidade humana, mas também amplificando a própria caracterização da educação, ao ser sugerido que o propósito da experiência educativa é verdadeiramente induzir melhoria social dos indivíduos, na sua vivência em comunidade (Brezinka, 2007; Simões, 2007). De uma forma mais particular, concretiza-se esta ideia, preconizando-se que os fenómenos educativos, ao intervirem junto da sociedade e da cultura, promovem um desenvolvimento da personalidade e da capacidade de socialização de cada indivíduo, acrescentando-se assim a sua índole de humanização.

Mais recentemente, é considerado que a educação pode ser caracterizada como um caminho de aperfeiçoamento, que os membros de uma determinada comunidade desenvolvem, com interação entre si, contribuindo desse modo, e em última instância, para o desenvolvimento individual, social e cultural. Neste âmbito, a educação atua como um elemento que potencializa cada indivíduo, para adquirir um património espiritual, material e de competências várias, que resulta numa atividade dinâmica, promovendo-se assim a socialização. E esta socialização, em si mesma, torna-se efetivamente fundamental no relacionamento e desenvolvimento humanos, sendo essencial na promoção do bem-estar e da qualidade de vida dos indivíduos (Amado, 2017).

Termino este percurso reflexivo, direcionando-me ao Manual para a Medição da Equidade na Educação, apresentado pela UNESCO em 2019, onde é afirmado que o processo educativo é um direito humano fundamental, implicando assim que seja participativo e equitativo, com o propósito de se promoverem cada vez mais sociedades inclusivas.

Referências bibliográficas:
Alcoforado, L. (2014). Uma Educação para Todos, ao Longo e em todos os Espaços da Vida: desafios para a construção de políticas públicas promotoras de uma cidadania planetária crítica e ativa. In M. F. da Silva, Mundos Distantes, Diálogos Possíveis: a vida em Mosaico (pp. 14 – 34). João Pessoa: Ideia.
Amado. J. (2017). Manual de investigação qualitativa em educação (3rd ed.). Imprensa da Universidade de Coimbra. https://doi.org/10.14195/978-989-26-0879-2.
Barbosa, W. R. (2016). Tempo de Escola ou Tempo de Aprender? lições de José Luiz. Educação & Realidade, 41(4). https://doi.org/10.1590/2175-623660423
Biesta, G. (2015). What is Education For? On good education, teacher judgement, and educational professionalism. European Journal of Education, 50(1), 75-87. http://dx.doi.org/10.1111/ejed.12109
Brezinka, W. (2007). Educación y pedagogia en el cambio cultural. Barcelona: PPU, SA.
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (2019). Manual para a Medição da Equidade na Educação. França. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000368710
Simões, A. (2007). O que é a Educação? In A. C. Fonseca, M. J. Seabra-Santos & M. F. Gaspar (Eds.), Psicologia e Educação: Novos e velhos temas (pp. 31-52). Coimbra: Edições Almedina.

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