47% das instituições de saúde têm projetos de Inteligência Artificial

Os dados, que se focam na adoção da Telessaúde e da Inteligência Artificial nas instituições do sistema de saúde português, vão ser abordados no dia 22 de outubro no C-Health Congress.

Projetos de Inteligência Artificial, seja ainda em fase piloto ou já implementados e sustentados, podem ser encontrados atualmente em 47% das instituições de saúde nacionais, de acordo com um barómetro apresentado este verão.

Teresa Magalhães, Professora da Escola Nacional de Saúde Pública

Segundo o “Barómetro de Telessaúde e Inteligência Artificial no Sistema de Saúde”, a transcrição de voz (25%); o agendamento de atividades clínicas (14%) e a interpretação e extração de informação clínica (11%) são as áreas com mais projetos em atuação. Teresa Magalhães, Professora da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) e coordenadora do grupo de trabalho da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), uma das entidades envolvidas no estudo, irá apresentar em detalhe o tema no C-Health Congress.

Nos próximos dois anos, as áreas com maior potencial de implementação, ao nível da Inteligência Artificial na saúde, são a avaliação e estratificação do risco (69%); a interpretação e extração de informação clínica (67%), o agendamento de atividades clínicas (64%) e a gestão do doente crónico – telemonitorização (64%), de acordo com o barómetro.

A ausência de cientistas de dados (44%), a infraestrutura tecnológica (44%) e a ausência de recursos financeiros (33%) são referidas como as maiores barreiras à implementação desta ferramenta tecnológica no sistema de saúde. Pelo contrário, a inclusão da Inteligência Artificial nos planos estratégicos das entidades (58%); a necessidade de reconhecimento do potencial da Inteligência Artificial pelos profissionais de saúde (50%) e a qualidade e disponibilidade dos dados (33%) são vistos como elementos facilitadores à disseminação desta tecnologia.

Neste estudo, que também abordou em detalhe a área da Telessaúde, considera-se o conceito de Inteligência Artificial como soluções ou sistemas de exploração de dados, de modelação, de simulação, de otimização e de aprendizagem automática. No que diz respeito à Telessaúde, a sua adoção está mais disseminada, já que 75% das instituições de saúde – 87% se forem consideradas apenas entidades do Serviço Nacional de Saúde – já recorrem a esta ferramenta, que consideram sobretudo importante para monitorizar doentes crónicos.

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares e a Glintt – Global Intelligent Technologies realizaram o barómetro pela primeira vez este ano, em parceria científica com a Escola Nacional de Saúde Pública e com o apoio institucional dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. O barómetro é considerado um estudo exploratório para a aplicação da Telessaúde e da Inteligência Artificial na saúde. Para a sua realização, foi aplicado um questionário e recolhidas respostas de 56 instituições (incluindo 24 hospitais no Serviço Nacional de Saúde), sendo que respostas de 36 entidades foram validadas para análise.

MMM/CI

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