Vacinação contra VSR pode vir a incluir bebés nascidos em abril e maio
O pediatra Caldas Afonso manifestou hoje a expectativa de que a imunização contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) venha a abranger também os bebés nascidos em abril e maio deste ano, realçando os benefícios já comprovados da medida na redução de internamentos pediátricos.

O pediatra Caldas Afonso, presidente da Comissão Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, expressou esta segunda-feira a esperança de que a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) seja estendida aos bebés nascidos nos meses de abril e maio de 2025, medida que considera essencial para reforçar a proteção infantil contra esta infeção respiratória.
O médico destacou a importância do recente anúncio do alargamento da vacinação contra o VSR aos bebés nascidos entre 1 de junho de 2025 e 31 de março de 2026, sublinhando que “os resultados são robustos e confirmam o que já era a experiência e literatura mundial”.
Segundo explicou, este avanço alterou profundamente o panorama tradicional da época sazonal das infeções respiratórias agudas, nomeadamente entre os lactentes, com uma quebra significativa na procura de serviços de urgência e internamentos hospitalares.
Caldas Afonso lembrou que, no ano passado, se registou uma subida acentuada nos casos de gripe (influenza A e B) entre as crianças, ao passo que as infeções por VSR sofreram uma redução considerável. Em 2024, a imunização foi aplicada aos bebés nascidos entre 1 de agosto de 2024 e 31 de março de 2025. Este ano, apesar de ainda não existir uma norma oficial, foi anunciado o alargamento da medida por mais dois meses, incluindo os nascidos a partir de 1 de junho de 2025.
No entanto, o pediatra chamou a atenção para o facto de a atualização anunciada continuar a excluir os bebés nascidos entre abril e maio de 2025, que, ao iniciarem a frequência de creches no outono, estarão entre os cinco e seis meses de idade e, portanto, mais vulneráveis. “Na minha convicção, claramente que o próximo ano já irá incluir [a vacinação dos nascidos em abril e maio deste ano]”, afirmou.
O especialista reforçou os ganhos em saúde pública e economia associados à imunização, referindo a redução da carga sobre os serviços de saúde, o menor número de internamentos, o impacto no absentismo dos pais que acompanham os filhos hospitalizados e o risco de contágio para outros familiares.
“É claramente uma grande vantagem, em relação aos resultados, do ponto de vista de eficiência e de custos para o país (…), que também é preciso quantificar”, sublinhou.
Recordando as palavras da então secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, durante o anúncio do alargamento da vacinação, Caldas Afonso destacou que, no ano passado, se registou uma redução de cerca de 85% nos internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos em crianças até aos três meses, e de 40% nos bebés entre os três e os seis meses.
Para o pediatra, “Portugal está no bom caminho e tem dado passos com total sustentação técnica e total cautela – até pelos custos financeiros a que está associada esta medida -, mas julgo que no próximo ano já iremos dar o passo seguinte para alargar mais dois meses. No fundo, é o que se passa nos países do espaço europeu”.
Finalizando, Caldas Afonso salientou as elevadas taxas de vacinação em Portugal, que atribui a uma política materno-infantil bem estruturada, permitindo à prevenção ocupar uma posição central nas prioridades da saúde pública nacional.
SO/Lusa
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