28 Jan, 2025

USF-AN critica vacinação nas farmácias

Além da despesa associada à vacinação nas farmácias, a USF-AN realça que, nos cuidados de saúde primários, existe a mais-valia de se ter um acompanhamento mais integrado.

USF-AN critica vacinação nas farmácias

“A vacinação nas farmácias comunitárias tem um custo para o Estado”, alerta a USF-AN, em comunicado. A associação realça que as farmácias comunitárias recebem uma remuneração de 3 euros por cada vacina administrada contra a covid-19 e a gripe. “À data de hoje, e tendo em conta o número total de doses administradas, o valor gasto com as farmácias neste processo corresponde a aproximadamente a 6 milhões e meio de euros, em contraste com a vacinação realizada nos cuidados de saúde primários (CSP), conduzida por profissionais de saúde já integrados no SNS, utilizando infraestruturas e recursos existentes e sem gastos adicionais.”

Além disso, a USF-AN considera que  a vacinação nos CSP “permite um acompanhamento mais integrado do utente, facilitando o registo e monitorização das vacinas administradas, bem como a gestão de eventuais reações adversas”.

A USF-AN está, assim, preocupada com a decisão do Ministério da Saúde de possibilitar a deslocalização da administração da vacina antitetânica/diftérica (Td) e da vacina pneumocócica  para as farmácias comunitárias. A medida vai continuar “a descapitalizar o SNS, a desviar verbas públicas para o setor privado e, uma vez mais,  desconsidera os resultados muito positivos alcançados na promoção de elevadas taxas de cobertura vacinal em Portugal”.

Em suma: “Mais uma ação que fragiliza o SNS!”

“Alterar o que funciona bem e tem os resultados pretendidos não faz qualquer sentido. Abrir mais portas nem sempre quer dizer maior acessibilidade, como o demonstrou a estratégia atual para a doença aguda e a vacinação sazonal contra a gripe e a covid-19.”

A associação diz que no grupo de 85 ou mais anos, que este ano foi só vacinada nos centros de saúde do SNS, “melhorou a logística e ultrapassaram-se as metas em tempo útil , logo no final de novembro”, comparativamente ao ano anterior, em que podiam ser vacinados nas farmácias. Assim, “de forma inequívoca e em apenas um ano, está demonstrada a capacidade real dos centros de saúde em vacinar os utentes de forma célere e efetiva”, reforça-se. Uma  das mais-valias enumerada é também o a possibilidade de os profissionais de saúde irem ao domicílio, sempre que os utentes não se consigam deslocar.

A USF-AN defende, desta forma, que o Ministério da Saúde centre todo o processo vacinal nos CSP. “O Plano Nacional de Vacinação surge numa rede de vacinação baseada nos CSP, sendo o programa mais antigo e mais custo-efetivo de todos os programas nacionais, solidamente implantado no terreno desde 1965, alicerçado no empenho mantido dos profissionais dos CSP e na confiança da população.”

E conclui: “A verba que está a ser gasta com a vacinação nas farmácias poderia pagar o vencimento anual dos enfermeiros que faltam nas USF, que assim poderiam fazer também outras atividades, para além de melhorar a vacinação.”

MJG

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