29 Out, 2025

Universidades de Portugal e da China criam aliança para promover longevidade saudável através da inteligência artificial

Entre os projetos possíveis para uma longevidade saudável, destaca-se o desenvolvimento de sensores inteligentes, apoiados por IA, capazes de detetar precocemente problemas de saúde em idosos que vivam sozinhos.

Universidades de Portugal e da China criam aliança para promover longevidade saudável através da inteligência artificial

A pensar na longevidade saudável, nove universidades de Portugal e da China lançaram, em Macau, uma aliança académica internacional dedicada a investigar como as novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial (IA), podem contribuir para uma longevidade mais saudável da população.

A Aliança para Inovação e Desenvolvimento em Tecnologias da Saúde para a Longevidade entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa foi formalmente criada durante uma cerimónia realizada na Universidade de São José (USJ), que liderou a iniciativa. “Temos relações muito fortes com os países lusófonos. É natural que esta ideia tenha nascido aqui em Macau”, afirmou Dai Jianbiao, reitor da Academia para a Inovação e Desenvolvimento em Saúde e Longevidade Inteligentes da USJ, em declarações à agência Lusa.

Além da USJ, integram a aliança, do lado chinês, o campus da Universidade Médica de Zunyi em Zhuhai e a Universidade Xinhua de Guangzhou, capital da província de Guangdong. De Portugal participam a Universidade de Évora, a Universidade de Aveiro, a Universidade da Beira Interior, a Universidade do Minho, a Universidade do Algarve e a Universidade Católica Portuguesa.

O vice-reitor da Universidade de Évora para a Investigação, Inovação e Internacionalização, Paulo Quaresma, destacou que a parceria está aberta a outros países de língua portuguesa, com convites já endereçados a instituições do Brasil e de Timor-Leste. Embora reconheça que muitos desses países têm populações mais jovens do que Portugal ou a China, o investigador defende que o tema da longevidade “é transversal”. “Mesmo em países jovens, certamente há interesse em que os seus idosos possam viver mais e em melhores condições de saúde, que é esse, no fundo, o grande objetivo”, sublinhou.

O envelhecimento populacional é um desafio crescente, sobretudo em Macau, que apresenta uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, e na China continental, cuja população diminuiu pelo terceiro ano consecutivo em 2024. “Na verdade, isto acontece em todo o mundo. Esta é uma mensagem forte para os académicos: devemos preocupar-nos com isso”, reforçou Dai Jianbiao.

Para além do meio académico, a aliança pretende envolver empresas e instituições públicas e privadas, com o objetivo de transformar a investigação em soluções concretas para a sociedade. “O objetivo final é ter soluções reais que sejam transferidas para a sociedade e, sinceramente, ninguém melhor do que as empresas sabe depois chegar a todas as pessoas”, afirmou Paulo Quaresma.

Entre os projetos possíveis, o investigador destacou o desenvolvimento de sensores inteligentes, apoiados por IA, capazes de detetar precocemente problemas de saúde em idosos que vivam sozinhos. “Isso permitirá que as pessoas possam permanecer mais tempo nas suas casas, junto das suas famílias, sem necessidade de internamento hospitalar ou institucionalização”, explicou.

A IA poderá ainda ser aplicada à personalização de tratamentos médicos, nomeadamente através da análise genética, já usada em alguns tipos de cancro, ampliando o potencial da medicina de precisão. Com esta aliança, as universidades de Portugal e da China esperam reforçar a cooperação científica internacional e promover um envelhecimento ativo e saudável, colocando a tecnologia ao serviço do bem-estar das populações.

SO/LUSA

Notícia relacionada

Ordens ligadas à saúde pedem criação de programas dedicados ao envelhecimento saudável

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais