STEPH rejeita culpas no caso da morte por atraso no socorro
STEPH responsabiliza o INEM pela falha de resposta a chamadas no dia 4 de novembro e rejeita qualquer tentativa de culpar os profissionais envolvidos.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) rejeita qualquer tentativa de imputar responsabilidades individuais aos profissionais envolvidos na morte de um homem em novembro de 2024, após um atraso no socorro, e aponta falhas estruturais graves do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).
Em comunicado enviado à agência Lusa, o STEPH responsabiliza o INEM pela “incapacidade de resposta” no dia 4 de novembro, em que coincidiram duas greves — dos técnicos de emergência às horas extraordinárias e da administração pública. Segundo o sindicato, o instituto falhou na gestão da situação, tendo deixado milhares de chamadas sem resposta.
De acordo com o relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), mais de metade das 7.326 chamadas feitas ao INEM nesse dia foram abandonadas. A inspeção aponta ainda que, no turno da tarde, cerca de 80% dos técnicos escalados para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) não asseguraram os serviços mínimos. A ausência de negociação prévia dos serviços mínimos com os sindicatos também é referida como falha do INEM.
Para o STEPH, a estrutura do instituto revelou-se “impreparada” para gerir o impacto das paralisações, sendo os principais responsáveis os departamentos de gestão de recursos humanos e os coordenadores regionais. A central 112, que atendia os pedidos de socorro, não conseguia transferi-los para o INEM, o que, segundo o sindicato, originou um bloqueio “histórico e inédito” no sistema.
O caso em concreto diz respeito à morte de um homem de 53 anos, em Pombal. Várias fontes explicaram que a vítima só foi transportada para o hospital depois de múltiplas tentativas de contacto falhadas com o INEM. A chamada inicial foi recebida pelo 112, mas não reencaminhada com sucesso. Uma técnica do CODU, identificada no relatório da IGAS como tendo responsabilidade no atraso, tentou contactar o utente e, sem resposta, procurou junto do 112 outro número possível. Quando conseguiu falar com um familiar, foi informada de que a vítima já seguia por meios próprios para uma unidade de saúde.
Sem saber a localização exata, o médico regulador do INEM concluiu que não era possível mobilizar meios de emergência. Mais tarde, um pedido direto de um popular levou os bombeiros ao local, onde encontraram a vítima em paragem cardiorrespiratória. Foi então enviada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Leiria, mas o óbito foi declarado no local.
A esposa da vítima revelou que tentou várias vezes contactar o INEM, sem sucesso, e que apenas recebeu uma chamada da instituição 24 horas depois. Uma explicação do próprio INEM refere que o sistema automático de retorno de chamadas (callback) não associou o número da mulher à ocorrência, uma vez que o processo foi encerrado pelos bombeiros.
A IGAS conclui no seu relatório que “a morte do utente poderia ter sido evitada” se tivesse existido uma resposta atempada que permitisse o encaminhamento da vítima por Via Verde Coronária para um hospital com capacidade para realizar uma angioplastia.
SO/Lusa
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