21 Mar, 2018

Síndrome de Apneia do Sono afeta mais de 70% da população

​Segundo o último grande estudo europeu (Heinzer), realizado em 2015, 49,7 % dos homens e 23,4 % das mulheres têm ou virão a ter Síndrome de apneia do sono (SAS), que está associado às doenças cardíacas e cerebrovascular, sendo que a maioria dos doentes com SAS tem hipertensão arterial

​A informação é da Associação Portuguesa do Sono e da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono da Sociedade Portuguesa de Pneumologia que organiza em Coimbra, na próxima sexta-feira, o simpósio “O Essencial da Medicina do Sono para a Medicina Geral e Familiar”.

Em comunicado, a Associação explica que a evidência unindo estas duas entidades é tão forte que o Síndrome da Apneia do Sono (SAS) foi assumido como a primeira causa identificável e tratável de hipertensão arterial. Os indivíduos com SAS têm maior risco de desenvolver arritmias e doença coronária. O SAS relaciona-se, ainda, com o desenvolvimento da Diabetes Mellitus e o desencadeamento de Acidentes Vasculares Cerebrais.

Em suma, o SAS contribui decisivamente para a principal causa de mortalidade em Portugal: a doença cardio e cerebrovascular. Como já se disse, a sonolência diurna excessiva (SDE) é uma das manifestações cardinais da doença. Tem impacto na mortalidade e condiciona o desempenho profissional. O SAS tem, por isso, custos indiretos em saúde elevados.

A incapacidade resultante da SDE, em paralelo com o ressonar, a disfunção eréctil, e as comorbilidades cardiovasculares presentes na doença fomentam a desintegração social e familiar. Mais, a depressão é comum nos doentes com SAS. Encarado como um problema maior de saúde pública, o Síndrome de Apneia do Sono envolve necessariamente a Medicina Geral e Familiar.

Insónia Crónica

A insónia crónica grave é hoje uma doença que atinge cerca de 9% de população. No simpósio serão abordados novos modelos explicativos da doença e apresentadas as formas modernas de tratamento da farmacologia à psicoterapia.

A insónia crónica grave é um problema sério pelas suas consequências: fadiga, cansaço, sonolência diurna, perda de concentração e memória, irritabilidade, ansiedade, mas também pela forma gravíssima como a comunidade médica aborda farmacologicamente o problema com o uso excessivo de benzodiazepinas, o que é inadequado e perpetua a própria insónia. As benzodiazepinas provocam dependência, alterações cognitivas, demência precoce.Sabe-se hoje que a insónia tem uma base biológica, quando não tratada aumenta o risco de hipertensão arterial, doença coronária e metabólica.

O Síndrome das Pernas Inquietas

O Síndrome das Pernas Inquietas atinge 5 a 15% dos adultos e caracteriza-se pela vontade irresistível de movimentar as pernas. Surge habitualmente ao final do dia, em períodos de inatividade, e prolonga-se noite dentro, provocando privação de sono e sonolência diurna. Pode estar associado a outras patologias do sono, doenças renais, neurológicas, hipertensão arterial enfarte miocárdio. A privação de ferro é particularmente importante, admitindo-se cada vez mais que a alteração do seu metabolismo tem um papel central na génese da doença.

Sono em Pediatria

O sono ocupa grande parte da vida de cada criança e influencia todos os seus aspetos. Entre 25 a 40 % das crianças sofrem, durante o seu crescimento, algum problema de sono que poderá ir desde simples acordares noturnos até situações mais complexas como apneia do sono ou narcolepsia.  Os sintomas podem ser subtis, de difícil diagnóstico. Embora alguns dos problemas sejam transitórios, há muitos que se podem prolongar até à idade adulta, com repercussão importante no crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e na qualidade de vida física, psicológica e social. A sensibilização para a importância que o sono da criança assume na trajetória entre causas na infância e consequências na idade adulta tem um papel primordial na prevenção e na abordagem precoce dos problemas de sono da infância.

Fonte: Comunicado de imprensa/ MMM

 

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