25 Mai, 2021

São João alarga projeto que permite levantar medicação em farmácias

Vai ser alargado o número de doentes que não precisa de se deslocar à farmácia hospitalar para levantar a medicação.

O Farma2Care, projeto do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, que permite que doentes levantem medicação hospitalar em farmácias perto da sua residência, abrange “mais de 800” pessoas e “vai ser alargado”.

Estamos a trabalhar para enquadrar mais áreas terapêuticas e, logo, um maior número de doentes. Isso implica alguns desenvolvimentos até da parte logística e informática”, disse à agência Lusa o responsável da Unidade de Prevenção e Controlo de Infeção e Resistência aos antimicrobianos (UPCIRA) do CHUSJ, Carlos Lima Alves.

Implementado em finais de 2019, o Farma2Care abrange, neste momento, “mais de 800 doentes, 600 já com pelo menos uma cedência efetivada em farmácias comunitárias, num total de mais de 1.500 dispensas”.

O projeto do CHUSJ, em parceria com Ordem dos Farmacêuticos (OF), com a Associação Nacional das Farmácias (ANF) e com a Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA), consiste na dispensa de medicamentos hospitalares em farmácias comunitárias nos casos de administração de terapêutica oral.

Na prática, o objetivo é disponibilizar, nas chamadas farmácias de rua, medicação habitualmente cedida nas farmácias hospitalares, excluindo-se a obrigatoriedade de deslocação dos doentes ao CHUSJ exclusivamente para aquele fim.

Carlos Lima Alves descreveu à Lusa alguns casos em que esta prática se revelou “importante” como a de doentes com infeção por VIH/Sida que fazem tratamento com base hospitalar ou pessoas com esclerose múltipla, casos em que às vezes acrescem limitações de mobilidade.

Em outubro de 2020, os medicamentos para o cancro da mama também foram incluídos no Farma2Care.

Atualmente o programa abrange casos de administração de terapêutica oral em oncologia, neurologia e doenças infeciosas.

“É uma experiência que está ainda a crescer e que queremos melhorar. Tem a capacidade de expandir bastante. Começou com um número muito reduzido de doentes e mostrou ser possível de fazer e fazer com sucesso. Verificou-se que agora já com várias centenas de doentes incluídos teve um sucesso particularmente relevante para os nossos utentes”, descreveu Carlos Lima Alves.

O projeto abrange utentes do Norte de Portugal, “e fundamentalmente dos distritos do Porto, Braga e Viana do Castelo”, mas também do interior, como Vila Real e Bragança, e “alguns doentes da zona Centro, nomeadamente Aveiro e Viseu”.

O responsável da UPCIRA do CHUSJ contou que o programa tem sido acompanhado por uma equipa de investigadores do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, bem como do Centro de Medicina Baseada na Evidência da Universidade de Lisboa que “comprovaram que os utentes tiveram benefícios concretos”.

Redução do número de quilómetros percorridos para levantar medicação, redução dos gastos em dinheiro, aumento da qualidade de vida, até porque muitos doentes passaram a fazer esta tarefa a pé, ou conseguir evitar faltas ao trabalho devido à necessidade anterior de fazer deslocações longas, são alguns dos benefícios registados.

“Vir ao hospital apenas para levantar os comprimidos é um processo que pode e deve ser evitado, ainda por cima quando existem farmácias próximas que permitem o contacto com o farmacêutico para ter apoio, retirar dúvidas”, defendeu o responsável.

Já informação remetida à Lusa pelo CHUSJ descreve que “registou-se um aumento considerável da satisfação [dos utentes] em relação a horário de atendimento, tempo de espera e condições de privacidade” e que em resultados de segurança “não se verificam diferenças”.

“Cerca de 97% dos utentes demonstraram adesão à terapêutica depois de aderir ao programa”, acrescenta este centro hospitalar do Porto.

A realização desta iniciativa partiu da criação de um circuito de informação, entre a unidade hospitalar, as farmácias comunitárias aderentes e os distribuidores farmacêuticos.

O Farma2Care arrancou antes de o mundo ter sido confrontado com a pandemia do novo coronavírus, acabando por “ajudar a acelerar o objetivo de retirar pessoas de espaços públicos como os hospitais”, razão pela qual, admitiu Carlos Lima Alves, “muitos doentes foram incorporados [no programa] durante o período pandémico com o benefício duplo: levantavam a medicação e mantinham-se protegidos”.

LUSA

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