4 Set, 2019

Rastreios do programa para as doenças oncológicas com mais adesão

O rastreio do cancro da mama e do colo do útero teve uma adesão a rondar os 90%. No entanto, existem outros cancros que ficam aquém do esperado. Tal deve-se, segundo o coordenador das doenças oncológicas da DGS, devido à falta de médicos.

O número de pessoas que se submetem aos rastreios do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas tem aumentado, mas na região sul os exames permanecem “incipientes” devido à falta de atribuição de médicos de família.

Em entrevista à agência Lusa, José Alexandre Diniz, coordenador das doenças oncológicas da Direção-Geral de Saúde afirmou hoje que dos três rastreios oncológicos abrangidos pelo Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO), o exame do colo do útero continua a ser “o mais maduro” e com maior adesão.

“O rastreio do colo do útero é o exemplo do que se quer de um programa. A nível nacional já está numa fase mais consolidada, tem uma aplicação e chega às pessoas de forma mais consistente”, frisou.

De acordo com o responsável, entre 2017 e 2018, a taxa de adesão ao exame do cancro do colo do útero passou de 72,5% para 88%, o que significa que mais 39.536 portuguesas se submeteram ao rastreio.

De igual modo, a cobertura geográfica também aumentou, passando de 83% em 2017 para 98% em 2018, números que para José Alexandre Diniz representam o “tratar de forma mais precoce a doença”.

Contudo, apesar de o Programa Nacional para as Doenças Oncológicas “dar a oportunidade a toda a população do país realizar o exame”, nem todas as pessoas se “convencem a aderir”, como se verifica no rastreio do cancro da mama e do cólon e reto.

Segundo José Alexandre Diniz, a taxa de adesão das mulheres portuguesas ao rastreio do cancro da mama ronda os 63%, sendo que, em 2018, foram detetados 1.744 casos positivos.

“Existem por ano, cerca de seis mil casos de cancro da mama diagnosticados, 1.744 foram do rastreio, que na zona centro e norte já está numa fase de implementação mais madura”, salientou.

Apesar de o exame do cancro da mama abranger 84% das regiões do território nacional, na zona de Lisboa e do Alentejo o processo “está mais incipiente”.

“Quem está a executar na zona norte e centro o rastreio do cancro da mama é a Liga Portuguesa Contra o Cancro e no Algarve é a Associação de Doença Oncológica do Algarve. Por sua vez, na região de Lisboa parece que foi lançado um concurso para que a Liga Portuguesa Contra o Cancro tome conta do rastreio, só que agora por exigências europeias, o processo tem de ser um concurso público internacional, o que atrasa mais a situação”, explicou.

Por sua vez, o rastreio do cólon e reto é o mais “embrionário de todos” dos exames oncológicos abrangidos pelo programa, uma vez que, à semelhança do exame do cancro da mama, está “numa fase mais atrasada” na região sul do país e apenas 30% da população aderiu.

“As pessoas são convidadas (a partir dos 50 anos) a fazer o exame, no caso do teste ser positivo e existir sangue oculto nas fezes, isso justifica um segundo teste mais complicado que é a colonoscopia. Para fazer uma colonoscopia é preciso uma logística muito maior e, enquanto no norte e entro do país as pessoas já são referenciadas para os serviços hospitalares, nas outras zonas do país não”, salientou.

Para José Alexandre Diniz, as assimetrias entre as diferentes regiões do país estão intimamente relacionadas com a cobertura de médicos de família, questão que considera que se for resolvida “rapidamente” faz com que o rastreio do cancro da mama e do colón e reto “atinjam a performance” do exame do cancro do colo do útero.

“Esta é a explicação mais gritante, se não temos médicos de família é muito complicado ir a rastreios. A melhora deste problema, da cobertura de médicos de família, vai estar ligada à melhoria da cobertura e da adesão dos rastreios oncológicos”, concluiu.

SO/Lusa

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