13 Fev, 2026

Quatro em cada dez adolescentes estão em risco elevado de uso problemático da internet

O uso da internet se torna problemático “a partir do momento em que a pessoa começa a negligenciar os seus cuidados básicos” para fazer compras online, jogar ou permanecer nas redes sociais, segundo os investigadores.

Quatro em cada dez adolescentes estão em risco elevado de uso problemático da internet

Quatro em cada dez adolescentes apresentam sinais de elevado risco de uso problemático da internet, revelam as conclusões preliminares de um estudo internacional que envolveu jovens de nove países, incluindo Portugal.

Em declarações à Lusa, Carolina Cordeiro, investigadora do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUp), explicou se trata de “uma perturbação que pode ter um impacto no bem-estar dos jovens, tanto físico como mental”.

O estudo envolveu 1.961 participantes, com idades entre os 12 e os 16 anos, e concluiu que muitos adolescentes recorrem à internet como estratégia para lidar com stress, ansiedade e emoções desconfortáveis. Segundo Carolina Cordeiro, mesmo quando passam menos tempo online, as consequências podem ser “mais gravosas”, dependendo da forma como utilizam as plataformas digitais.

Em comunicado, a Universidade do Porto destaca, citando a responsável pelo projeto em Portugal, Célia Sales, que “os adolescentes são particularmente vulneráveis” e que esta realidade “pode levar a uma perda gradual de controlo sobre o comportamento online”.

A investigação foi coordenada pelo projeto internacional BootStRaP — “Promovendo a adaptação social e a saúde mental na Europa pós-pandemia em rápida digitalização” — e contou com 250 participantes de Portugal. A amostra incluiu ainda 170 jovens dos Países Baixos, 427 da Lituânia, 47 da Hungria, 85 do Reino Unido, 137 de França, 444 de Espanha, 97 da Alemanha e 302 da Suíça.

A recolha de dados foi realizada através de uma aplicação móvel com questionários semanais sobre bem-estar e saúde física e mental, que monitorizou também indicadores como o número de passos diários e o tempo despendido em jogos, redes sociais e outras atividades online.

O projeto pretende identificar precocemente adolescentes em maior risco, desenvolver estratégias personalizadas de autogestão, avaliar o impacto do uso problemático da internet na saúde mental e estimar o respetivo custo económico na Europa.

A aplicação começou a ser desenvolvida em dezembro de 2024, a recolha final de dados ocorreu em maio de 2025 e o estudo foi publicado na revista científica Comprehensive Psychiatry.

SO/LUSA

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