30 Dez, 2020

Profissionais de saúde do privado não sabem quando serão vacinados

Setor privado queixa-se de tratamento desigual. Ordem dos Médicos critica a falta de informação e está a criar lista com médicos que querem ser vacinados.

Os milhares de profissionais de saúde que trabalham exclusivamente para o setor privado de saúde não receberam ainda nenhuma informação quanto ao início da vacinação nestas unidades, numa altura em que a vacinação no SNS já decorre desde 27 de dezembro. O setor privado queixa-se de tratamento desigual por parte do governo, segundo avança o Expresso.

O silêncio da tutela foi contestado formalmente assim que foi apresentada a estratégia nacio­nal para a administração da vacina, diz o presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Óscar Gaspar. No entanto, e até ao momento, nada mais foi adiantado relativamente a este assunto.

Existem inclusivamente hospitais privados que têm protocolos acordados com o Estado para tratamento de doentes com Covid-19, cujos profissionais de saúde continuam sem ter informação sobre quando receberão a vacina. “Se o plano inclui a proteção dos profissionais de saúde que prestam um serviço público à população, entendemos que o importante são os cuidados assegurados, e não onde o são”, diz Óscar Gaspar.

 

Ordem dos Médicos está a criar lista de médicos do privado que querem ser vacinados

 

Enquanto os privados se queixam de tratamento desigual, a Ordem dos Médicos (OM) critica a falta de informação sobre quando serão vacinados os clínicos do setor privado e social. A OM tem recebido contactos de “vários médicos que trabalham no setor privado e social, e das próprias unidades de saúde, por não terem recebido qualquer informação”.

Em comunicado, a OM adiantou que esta preocupação já foi transmitida pelo bastonário Miguel Guimarães ao secretário de Estado Adjunto e da Saúde.

“Os médicos que trabalham fora do Serviço Nacional de Saúde devem ter o mesmo direito a serem vacinados”, considera Miguel Guimarães, para quem é necessário que o plano de vacinação seja um “fator de equidade e de coesão nacional”.

Segundo o bastonário, muitos dos doentes realizam as suas consultas, exames complementares e cirurgias nas unidades de saúde do setor privado e social, através de convenções e acordos com o SNS, e mesmo por decisão individual.

Para “ajudar a agilizar e facilitar o processo”, a OM está a promover um inquérito junto dos médicos que estão fora do SNS e que querem ser vacinados, considerando a sua atividade e especialidade, uma “listagem que será partilhada com a tutela”.

Na segunda-feira, a ministra da Saúde garantiu que não haverá uma exclusão dos profissionais de saúde do setor privado. No entanto, Marta Temido não diz em que fase está prevista a distribuição das vacinas a estes profissionais.

 “Os profissionais de saúde estão abrangidos independentemente da sua entidade empregadora e a opção de começar a fazer a vacinação no SNS prende-se com o seu caráter central no sistema de saúde português. Iremos num outro momento fazer a coleta da informação de profissionais elegíveis noutros setores e o encaminhamento das doses”, assegurou Marta Temido.

TC/SO

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