23 Set, 2025

Prémio Jorge Ruas distingue trabalho sobre terapia genética para tratamento de esclerose múltipla

A primeira edição do Prémio Jorge Ruas distingue trabalho sobre terapia genética para tratamento de esclerose múltipla. A tecnologia utilizada tem potencial para tratar outras doenças cerebrais relacionadas com a inflamação, incluindo as associadas ao envelhecimento.

Prémio Jorge Ruas distingue trabalho sobre terapia genética para tratamento de esclerose múltipla

O Prémio Jorge Ruas distinguiu o projeto “AAV-Based Gene Therapy for PPMS”, liderado pelo neurocientista Matthew Holt, da Aila Biotech, sediada no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S). Esta foi a  primeira edição do Prémio, promovido no âmbito da Tecnimede Open Innovation Competition. A distinção, no valor de 100 mil euros, foi entregue a 17 de setembro, na Ordem dos Farmacêuticos, em Lisboa, após avaliação de dez projetos científicos na área da saúde.

A investigação premiada propõe uma abordagem pioneira para o tratamento da esclerose múltipla primária progressiva, uma doença inflamatória do cérebro sem terapêutica eficaz disponível. O sistema, designado Triple Lock System, recorre a um vetor viral modificado capaz de atravessar a barreira hematoencefálica e entregar, localmente, um agente terapêutico anti-inflamatório. O processo é controlado e reversível, através da administração de um fármaco que atua como “interruptor de segurança”.

Além da esclerose múltipla, a tecnologia tem potencial para tratar outras doenças cerebrais relacionadas com a inflamação, incluindo as associadas ao envelhecimento.

Com o apoio financeiro e a colaboração com o Grupo Tecnimede, a equipa pretende avançar para estudos pré-clínicos em roedores e primatas não humanos, com o objetivo de iniciar os primeiros ensaios clínicos em humanos dentro de três anos.

A cerimónia contou com a presença de figuras institucionais e académicas, entre as quais Maria do Carmo Neves, presidente do Grupo Tecnimede, Amílcar Falcão, reitor da Universidade de Coimbra e presidente do júri, Hélder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Francisco Rocha Gonçalves, secretário de Estado da Gestão da Saúde, e Rui Ivo, presidente do Infarmed.

O evento incluiu, ainda, uma mesa-redonda dedicada ao tema “Ciência e empresas: pontes ou muros invisíveis?”, moderada pela jornalista Clara de Sousa, onde se discutiram os principais entraves à colaboração entre academia e indústria, como a burocracia, a falta de alinhamento estratégico e a desconfiança mútua. Os especialistas defenderam a necessidade de criar uma “terceira via”, com equipas dedicadas a aproximar os dois setores. “Só assim será possível ultrapassar a lógica de desconfiança e transformar ciência em inovação com impacto real”, afirmou Maria do Carmo Neves.

Criado em parceria com a HiseedTech, “o Prémio Jorge Ruas visa reconhecer e financiar projetos inovadores com potencial para transformar a indústria farmacêutica, honrando a visão do fundador do Grupo Tecnimede, que sempre colocou a investigação científica e a internacionalização como pilares estratégicos”.

O júri internacional foi composto por Amílcar Falcão, Hélder Mota Filipe, Carlos Robalo Cordeiro, António Murta, Isidoro Caraballo, José Augusto Guimarães Morais e Stine Rønholt.

SO

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