15 Jan, 2021

Natal e Ano Novo. Pessoas tiveram “comportamentos irresponsáveis, de um relaxamento inexplicável”

O presidente da Secção do Centro da Ordem dos Médicos diz que o novo confinamento era evitável se tivesse existido mais sensibilidade.

“As próprias pessoas têm de ter consciência e não há nenhum motivo para ao fim de 10 meses de pandemia não terem essa consciência, de que têm de andar protegidos e ter comportamentos corretos”, disse Carlos Cortes, em declarações à agência Lusa.

Para o dirigente, “se há uma coisa que vimos, algo completamente incompreensível, foram determinados comportamentos durante as festas de natal e de ano novo”.

Carlos Cortes considera que “as pessoas cometeram erros, com comportamentos irresponsáveis e um relaxamento inexplicável, pelo que acabamos por ter as consequências disso”.

“Obviamente que poderiam ter sido outras as medidas implementadas pelo Ministério da Saúde e pelo Governo, no seu todo, mais restritivas, atendendo a que muitas vezes as pessoas acabam por não respeitar aquelas que são as recomendações da pandemia”, referiu.

 

Vacinação veio “dar um sentimento de falsa segurança”, diz o especialista

 

O presidente da SRCOM considera que “era evitável [o confinamento] se estes dois preceitos tivessem sido cumpridos, se as pessoas cumprissem e se o Governo tivesse imposto medidas muito mais restritivas”

A questão da vacinação “veio atrapalhar as coisas, porque sendo uma luz de esperança para toda a gente veio dar um sentimento de falsa segurança, em que muita gente achou que ia ficar tudo rapidamente resolvido e, portanto, as festas de final de ano foram uma espécie de festejo do fim da pandemia”.

Com os números de infetados a subirem vertiginosamente, Carlos Cortes sublinha que a carga de trabalho dos médicos é coisa que “nunca” viu, somado ao desespero dos profissionais de saúde, que não conseguem “chegar a todos”. “O estado é de uma enorme dificuldade de resposta. Neste momento, e por indicação do Ministério da Saúde, muitos doentes não covid-19 estão a ser sacrificados, porque temos de nos concentrar nesta pandemia absolutamente mortal”,

Para o dirigente, tendo em conta tudo isto, “não havia outra solução do que ter um novo confinamento”.

“Há algumas exceções que foram abertas, nomeadamente nas escolas, que temo nos podermos vir a arrepender, e seria muito mais favorável a restrições e a um confinamento mais reforçado em várias áreas que não estão contempladas agora”, frisou.

O presidente da SRCOM entende que é preciso “apostar agora tudo na saúde das pessoas e impedir que morram”, e continuar a dar capacidade ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) para tratar “os doentes mais emergentes”.

“O SNS também entrou em rutura, não ainda em rutura absoluta para os doentes covid-19, mas a partir do momento que deixamos de tratar alguns doentes é porque obviamente já entrou em rutura e está focado exclusivamente na pandemia”.

Carlos Cortes apela às autoridades de saúde que não se esqueçam dos doentes não covid-19, “que são doentes como os outros e não podem ser colocados de parte, como foram colocados durante esta pandemia, sobretudo no seu início”.

Segundo o dirigente, todos os hospitais da região Centro estão a atravessar “enormes dificuldades”.

LUSA

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