Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla

Ó Costa, então e os Doentes pá?

Mas andam a gozar com quem vive com doença crónica? Ou andam a trabalhar para as sondagens? Será incompetência? Ou será competência especializada na gestão de opinião pública? Sabiam que há um milhão e meio de doentes crónicos, entre eles mais de cem mil que têm patologias que, se contraírem covid-19 têm mais probabilidade de internamento e cuidados intensivos (UCI)?

Se não sabem fazer, saiam da frente! Se sabem, sejam transparentes na publicação do Plano, na execução do Plano e na demonstração dos Resultados, de modo a que possam ser escrutinados com verdade!

Se a estratégia fosse vacinar todos entre os 16 e os 35 porque são os maiores assintomáticos e transmissores da doença, era uma coisa. Só que não houve vacinas para esta opção.

A OMS recomendou o método 80/80/80, seguindo-se as pessoas com doenças com maior probabilidade de internamento geral ou UCI, de modo a evitar o colapso do sistema.

“O Governo Português disse” que ia seguir esta. Mas fê-lo? Não!

Eles foram políticos, médicos, profissionais de saúde, gestores de lares, presidentes e vereadores, amigos, bombeiros, farmacêuticos e finalmente professores.

Sabiam que, com excelsa exceção dos 80% dos profissionais de saúde, grande parte destes que já foram vacinados ou serão muito brevemente, se estiverem ausentes do seu trabalho, por 15 dias devido a contágio covid-19, terão uns 3 dias maus poderão recuperar em casa, sem grande probabilidade de internamento ou UCI?

Então porque é que se faz este teatro de dizer que se dá ouvidos à ciência e depois se tem trajeto erróneo? Porque é que não se conhecem os planos antecipada e detalhadamente?

Simples! Gestão muito profissional de agenda mediática e controlo de sondagens com vista ao próximo ato eleitoral. Não há aqui plano técnico. Depois culpam-se os executores.

Estão a morrer pessoas a mais! Os números estão à disposição de todos. Há um número de mortes covid-19 acima do que devia. Serão erros estratégicos? Há um número de mordes não-covid-19 acima do que devia. Serão erros estratégicos?

Há uns milhares de pessoas adultas com doenças raras, com menos de 50 anos, que não estão em nenhuma lista de prioridades. Uma parte destas, se contraírem covid-19 terão grande probabilidade de internamento, UCI e morrer! Será que é porque a DGS não sabe? O número é relativamente reduzido que, face aos milhões que há para vacinar, seria muito fácil catalogá-los.

Se estas pessoas já chegaram à DGS, já chegaram às televisões, aos jornais, etc. porque é que agora vão vacinar milhares de professores? E também os Universitários? Mas alguém acredita que é porque as escolas vão abrir? E os professores poderiam transmitir aos alunos ou os alunos poderiam transmitir aos professores? Então e os empregados de supermercado? E os da restauração? E os motoristas de transportes públicos? E os taxistas? E os…………etc.?

Ó Costa, então e os Doentes pá?

É indigno gozarem com a nossa cara. Se por cada decisão destas tivessem de carregar um caixão no enterro para sentirem a dor de cada família, talvez pensassem melhor. Ou não. Porque provavelmente estes que estão a morrer não iriam votar mesmo.

1 Milhão de vacinas de uma única toma a chegar em abril, TODAS PARA OS DOENTES, seguindo a regra de prioridade definida pela própria DGS, mas incluindo os doentes raros e/ou com menos de 50 anos que, pela patologia que carregam, dificilmente chegam aos 50 anos de idade, mesmo sem covid-19.

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